Em um antigo fórum do qual fazia parte, houve um longo e extenso tópico de debate sobre a criação do Ministério Independente de Jandira, uma Congregação Cristã sem ligação com a pessoa jurídica situada na Rua Visconde de Parnaíba, 1616, Brás, São Paulo.
À época, ficava questionando a mim mesmo se esse problema todo ocorreria se fôssemos mais humildes. E essa reflexão valeria para ambos os lados.
Primeiro, porque o nosso gérmen histórico – representado através do forte congregacionalismo de L. Francescon, um dos pioneiros na evangelização dos italianos no Brasil – apresentava pouco pendor para um governo centralizado e verticalizado. Isso significaria, portanto, que as administrações locais teriam toda a liberdade para atuarem, mas sempre respeitando os limites bíblicos da organização da obra. Por exemplo: para deliberarem sobre pontos de doutrina, seria necessário um concílio (ou convenção) de igrejas; para outros pontos, de menor impacto na vida cristã, a própria igreja resolveria, tendo como referência a Palavra de Deus.
A ordenação de obreiros sem cumprir o costumeiro ritual, ponto estatutário-administrativo que foi responsável por essa querela, não deveria ter gerado um problema de tal dimensão. Isso por um motivo muito simples: não há restrição bíblica a ordenação de ministros pelo próprio conselho de ministros da igreja local. O longo caminho burocrático, de sub-regionais à administração nacional, não é Escritural. Nos tempos apostólicos, nenhum irmão precisaria ter seu nome aprovado no Concílio de Jerusalém para exercer seu ministério de ancião.
Segundo, não vejo que uma interferência ministerial externa de nossos próprios irmãos (e, no caso dos anciães de Jandira, seus conservos) fosse suficiente para declarar independência. Quem é ancião deve ser preparado para servir, e não para ser servido. Há algo que meu conservo deveria fazer e não faz? Há. O que posso fazer por ele? Se estivéssemos absortos em longanimidade e desprendimento, não haveria nenhuma margem para entrar o conflito, a perfídia e o estranhamento no nosso meio. Afinal de contas, militamos nesse combate do mesmo lado…
Complica ainda mais o fato de que o Ministério de Jandira, mesmo se constituindo juridicamente como pessoa distinta, não faz o mínimo esforço em apresentar-se distintamente. Os templos são construídos no formato mais conhecido, e sequer os letreiros são alterados. Para um cidadão comum, isso não tem outro nome: é uma enganação. Ora, esse seria um problema fácil de ser resolvido. Porque não uma “Congregação Cristã Renovada”, uma “Congregação Cristã Independente”, uma “Congregação Cristã – Ministério Jandira”, uma “Congregação Cristã Pentecostal”, ou qualquer outro nome?
Outro agravante é a associação com um grupo denominado AMCCB. Se auto-intitulam associação de membros, mas o ancião que a preside não possui liberdade na igreja-mãe. O grupo, embora possua um objetivo nobre (ir atrás de ovelhas perdidas), foi constituído em uma atmosfera de rancor e animosidade em relação a CCB. Na aparência, uma associação; na prática, uma denominação, uma vez que há cultos regulares e todos os serviços comuns a uma comunidade cristã assim constituída.
Por fim, muitas pessoas acham que o novo ministério tinha como tese o congregacionalismo, herança concreta do pioneiro L. Francescon. Eu creio que essas pessoas muito cedo se certificarão da falsidade dessa hipótese. Ao que parece, a igreja é organizada verticalmente, tal qual a igreja mãe. Os próprios líderes, “Os Três de Jandira”, são os únicos listados no site. Quem faz parte do ministério nessas igrejas?
Ainda faltando temperança, há a circular.
A rigor, o problema não é a circular em si, porque os irmãos devem ser informados de tentativas de cisão. No entanto, o documento falha em não explicar os reais motivos pelos quais o grupo saiu. Ao acusá-lo de apostasia, faz uma denúncia muito grave; o problema foi administrativo, e não de ordem doutrinária. Excluir os ministros e não reconhecer as ordenações dos três cooperadores não pareceu, também, ser uma forma branda (cristã, sobretudo) de aplacar a ânsia de autonomia do ministério de Jandira.
A propósito, o ir. Mario escreveu um excelente texto sobre outra possibilidade de tratar do problema por Circular, mais ajustada aos fatos e ao contexto bíblico.
No mais, não acredito que a igreja esteja passando por uma crise jamais vista, como o ir. Ricardo Alexandre se refere. Em todos os momentos da história da igreja cristã, houve cisões e desentendimentos, em maior ou menor grau. O Novo Testamento registra tanto um (os irmãos judaizantes, cheios de regras e leis, por exemplo) como outro (querela entre Paulo e Pedro sobre a circuncisão, por exemplo). A própria história da Congregação Cristã não é exatamente um exemplo de harmonia, visto que sua própria constituição, em 1926, foi fruto de algumas discórdias.
Oremos para que o espírito cristão conciliador supere o espírito faccioso, que provém única e exclusivamente daquele que não quer ver o bem na Obra de Deus.
Há mais problemas estruturais.
Na Fé e Regra da Congregação Cristã escrito, assinado por Louis Francescon e aprovado pela irmandade de Chicago prevê que a administração espiritual e material da igreja seja feita por um conselho. Conselho este que sempre foi composto jovens, solteiros e casados, homens e mulheres os quais participam das reuniões mensais com poder decisório. Tive o prazer de me reunir e almoçar com eles.
O Brasil partiu por um caminho estranho. Falta de representatividade. Só homens, casados, de meia-idade em diante participam do ministério.
Prestação de conta virou fachada. Falta transparência digna a uma instituição cristã haver só leitura de balancetes financeiros, com a única possibilidade de referendar com amém.
Toda decisão que afeta a congregação local tem que ter participação dessa. Desde escolher dias e horários de culto quanto a escolha dos servos dessa igreja. “Nada sobre nós, sem nós.”
Qualquer grupo cujo participantes não são passíveis de prestar contas, corroi por si só.
“Nada sobre nós, sem nós”
A paz de Deus irmão
Pelo o que vc escreveu, vc não tem cargo na igreja. Se vc acha difícil ter um, comece pelas construções, e com pouco tempo já te colocam como porteiro e depois algum cargo administrativo. Ai vc vai sentir o que ter responsabilidade.
Não digo que no meio da irmandade, não tem aquele com outras intenções, mas no geral os crentes da CCB SÓ QUÉ CHEGAR NOS CULTOS 19:20, OUVIR A PALAVRA E IR EMBORA….
Nem quer saber que nos bastidores teve irmãs que limparam a igreja durante a semana, irmãos que fizeram manutenções preventivas nos prédios e irmãos na parte administrativa, para que a igreja esteja em dia perante a lei.
Classifiquei a situação como uma crise pelas características que apresenta:
1. Foi uma mudança ou fato no decurso natural de uma ordem conhecida ou esperada que requereu uma intervenção para sua estabelização:
A conjuração jandirense é um fato que contraria o Estatuto, criou um novo quadro e provocou uma reação do Brás – a Circular.
2. O momento é crítico e decisivo:
Uma ação equivocada e/ou ineficiente poderá ser desastrosa, firmando este e desencadeando outros movimentos. Há muitas regiões descontentes com a atual administração, no entanto, não deixam claro quais são as críticas e reivindicações.
3. Caráter inédito:
Nas outras dissidências o questionamento era doutrinário. Saíram, migraram ou fundaram outra igreja perdendo o vínculo com a CCB. O que está sendo posto em questionamento nesta conjuntura é a administração e não querem perder o vínculo com a irmandade.
3.1. Também se questiona a atitude e o caráter dos anciães maiorais. Essa situação se iniciou com o afastamento do irmão José Nicolau e com o dossiê elaborado pela comissão dos Juristas-CCB com acusações e provas que não foram rebatidas, o que se viu foi uma manobra coorporativista onde foi declarado apoio incondicional ao presidente Couri; E se agravou com o episódio da igreja do Jardim Bandeirantes da cidade de São Carlos.
Se me é oferecida a tribuna, vou dar a minha resposta, como crente que sou. O que está se pregando acima não é a desunião do Povo de Deus, não é uma forma de dissenção, de perda da identidade Cristã, para a satisfação de um grupo que pretende algum poder? Isso é de Deus? Como é que eu vou entender que essa nova doutrina vai me conduzir a salvação eterna? Eu gostaria que vocês me respondesse a esses questionamentos, mas que tivessem a coragem de me responder em público. Eu acho que nunca terei essas respostas.
Seja bem vindo, João.
O conflito tratado acima é de ordem administrativa, não doutrinária. Faltaram amor e temperança por aí, isso é evidente.
Quanto a “nova doutrina” conduzir a salvação eterna, fique tranquilo. Repouse sua ansiedade no Nosso Senhor Jesus Cristo, Único e Verdadeiro autor e consumador de nossa salvação.
Na paz do Eterno.