A Congregação Cristã, por Reed E. Nelson

19 09 2011

As Congregações Cristãs uniram impressionante crescimento com harmonia e estabilidade institucional no Brasil. Elas não têm gerado grandes grupos dissidentes, apesar da notória propensão a divisão no protestantismo latino-americano. Há também grande uniformidade nas práticas e comportamentos por todas as igrejas que formam a denominação. O formato da reunião não varia; estilos de pregação, vocabulário e conteúdo são semelhantes; a arquitetura e o layout das igrejas pouco se diferenciam; reuniões começam e terminam pontualmente; e edifícios são mantidos sempre limpos. Os costumes da igreja em relação ao sexo extraconjugal, o tabaco, o álcool,  vestuário e aparência pouco se diferenciam de um local para outro. Esta uniformidade é encontrada não só entre as congregações no Brasil, mas se estende às igrejas norte-americanas, que são quase indistinguíveis das igrejas brasileiras, exceto pelo idioma utilizado.

No Brasil, o crescimento tem sido impressionante. A Congregação Cristã é a segunda maior denominação protestante no Brasil, com cerca de 2,5 milhões de membros. Durante a última década, a Congregação Cristã tem adicionado entre 40.000 e 60.000 novos membros por ano. Isto é particularmente impressionante quando se considera que a Congregação Cristã não tem clero assalariado e não faz nenhum tipo de propaganda.

A experiência das Congregações Cristãs nos EUA tem sido menos invejável. Depois que Francescon e suas igrejas se separaram com outros pioneiros do movimento pentecostal em Chicago (1926), as Congregações Cristãs sofreram três cismas principais. A primeira e maior dessas separações ocorreu quando a Congregação original de Francescon se separou do resto do movimento que ele fundou (1938). O movimento maior, a partir do qual se retirou Francescon, tornou-se conhecido como Christian Church of North America (Igreja Cristã da América do Norte), uma comunhão altamente amorfa de igrejas pentecostais agora totalizando cerca de 12.000 membros. Essa denominação tem pouca semelhança com as igrejas originais. A Congregação Cristã original, em que Francescon manteve-se como ancião, agora chamada de Christian Congregation Chruch (Igreja Congregação Cristã), sofreu duas divisões adicionais. Ambos os cismas, bem como saída Francescon da hoje assim chamada Igreja Cristã da América do Norte, surgiu a partir de propostas de alteração da igreja para estar mais de acordo com os padrões culturais e princípios de organização burocrática americanos. Na última divisão, a Congregação Cristã brasileira se comprometeu a apoiar os dissidentes das congregações originais que resistiram as mudanças nas práticas da igreja. Os dissidentes construíram sua própria igreja cerca de duas milhas da congregação original. Esta nova denominação, chamada de Christian Congregation in the United States, é idêntica à Congregação Cristã no Brasil.

A membresia original (da Christian Congregation Church de Chicago) diminuiu para cerca de 250 membros ativos, a maioria dos quais são descendentes dos primitivos imigrantes fundadores da igreja. A Christian Congregation in the United States tem cerca de 500 membros espalhados por cerca de 20 locais de culto em todo os Estados Unidos. Pelo menos metade dos membros é hispânica, incluindo muitos imigrantes recentemente aportados da América Latina. Os anciãos seniores das mais antigas congregações, da congregação de Chicago e em várias outras congregações são imigrantes brasileiros.

Fonte: NELSON, R. E. Authority, organization and societal context in Multinational Churches. In: MAANEN, J. V. Qualitative Studies of Organization (The administrative science quarterly series in organization theory and behaviour). Thousands Oaks: Sages Publications, 1998. (pp. 306-307).

Notas:
1. A tradução é livre.
2. Retirei as referências bibliográficas no texto para deixar a leitura mais fluente.
3. Como fonte direta, o autor faz referência a Joseph Episcopo, ancião da Christian Congregation Church de Chicago (falecido em abril desse ano) e Miguel Spina, ancião da igreja brasileira.
4. O autor é professor da Southern Illinois University, e já esteve como professor visitante no Brasil (USP, PUC-MG, Uninove, entre outras) em várias ocasiões.


Ações

Informação

4 respostas

20 09 2011
Regina Farias

Vale como relato histórico. Mas vale também para uma outra reflexão, quando nos desarmamos da religiosidade imposta.

Por exemplo:

Enquanto entidade religiosa, isso exposto acima é até ‘interessante’ em relação à ordem e disciplina… mas só até certo ponto!

A mim, entretanto, pela liberdade concedida pelo Espírito de Deus, tais moldes não me cabem.

Além do mais, devemos estar bem atentos à vaidade enfatizada nos costumes, formatos, liturgias, quantidades, números… Porque, em relação ao coração que Deus requer, as exterioridades rigorosas não significam necessariamente agradar-LHE pois que Ele está bem acima das aparências.

Lembrei-me de uma canção do João Alexandre:

‘Vaidade no comprimento da saia, no cumprimento da lei…’

‘O cumprimento da lei é o amor’ e é essa a UNIFORMIDADE que o Jesus que levantamos bandeira, espera de seus verdadeiros discípulos. ‘Nisto serão conhecidos que sois meus discípulos’, disse Ele!

Precisamos estar atentos à armadilha do fascínio pela (inalcançável) perfeição que alimenta a pretensão de ser “A Nova Jerusalém” aqui na Terra.

Como disse certa vez um pregador:

‘Nossa Senhora’ está para a ICAR assim como a denominação para certos fiéis.

Não há qualquer diferença entre os dois equívocos que geram a IDOLATRIA.

Não custa pensar…

21 09 2011
Regina Farias

“Naquele ‘dia’ não se perguntará quais eram as suas doutrinas, nem como era a sua forma de batismo, nem qual era a sua religião, nem quantos trabalhos cristãos você fez, nem se perguntará pela sua estatística de ‘quantos você converteu para Deus na Terra’. Perguntar-se-á se você viu Jesus por aí, com fome, maltratado, com sede, preso, doente, lá no ‘brejo da Cruz’. E as pessoas vão dizer. ‘Senhor, nós nunca te vimos assim!’ E Ele vai dizer: ‘Sempre que vocês deixaram de atender a um ser humano nesse estado de degradação, de prisão, de dominação, de infelicidade, de angústia e de miséria, vocês deixarão de atender a mim.’ É uma pena que Mateus 25 não seja levado a sério pôr nós. Não se esqueçam: é com base no amor ao próximo que se estabelecerá o critério final, o critério ômega do juízo“.

17 01 2012
Rafael

A Santa Jerusalém – Artigos Religiosos
Tem o orgulho de apresentar o segundo capítulo do nosso documentário, aproveitem! http://www.santajerusalem.com

20 02 2012
Gabriela

parece que seu texto foi copiado… olha isso: http://ccbsemcensuras.forumeiros.com/t291-a-congregacao-crista-segundo-reed-elliot-nelson

Fique na Paz.

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