Costume ou doutrina

30 10 2008

No blog do Daniel, encontro um excelente texto sobre a diferença entre costume e doutrina.

Parênteses inicial: tenho aqui na estante o livro “Usos & Costumes”, de Jorge Linhares (uia, aquele mesmo das maldições hereditárias…). Não é que o texto, o lá do blog, desfilou uma sensibilidade e discernimento que, talvez, não seja possível encontrar no livro do Jorge? Sério…

Pois bem. Recomendo o texto do blog do Daniel com entusiasmo. Se é possível marcar seus pontos fortes, deixo-os abaixo:

1.  A diferença entre doutrina (divinas coisas) e costume (humanas coisas) é realizada com clareza e objetividade. Diferentemente do que muito tem por aí, o sr. Ricardo Alexandre trata costume tal como ele é: um fator identitário de comunidades religiosas. Sublinha para o perigo que ele representa, ao ser confundido com doutrinas (essas sim, com significados soteriológicos). Mais que isso: admite que as comunidades religiosas tem o direito de possuir esses costumes, recomendando, espirituosamente, a terceiros não serem palpiteiros

2. Alerta sobre o equívoco que se tem, no meio da irmandade, em confundir “doutrina” com “costume”. Isso é bem retratado quando alguém comenta sobre a pregação, dizendo que a linha dada foi de “doutrina”, quando na verdade houve admoestações sobre “costumes” (cabelo, roupa, etc.).

3. O ministério, ao não assumir as nossas raízes históricas (avivamento de Azuza Street, Los Angeles, 1907), nega a própria identidade da igreja. Isso não é bom. Já não temos o hábito de conhecer nossas raízes. Negando-as, então, auxilia-nos a cada vez mais perder a noção da grandeza de Deus e de sua obra em meio aos irmãos norte-americanos, principalmente àqueles de origem italiana.

4. A tal “Circular do Apagão” (de boa: que apelido maluco… 😉 ), que recomendava maior ordem na igreja, aconselhando manifestações menos ruidosas, foi dita como um nocaute a nossa identidade pentecostal. Não acho isso. A Congregação tem sido, desde seu iniciar, observada como um movimento que não acompanhou os excessos pentecostais. Isso é bom. Os canelas de fogo tem trazido muitos dissabores: vide só as tais “bençãos de toronto”, unção do riso, e demais práticas que envergonham qualquer cristão sério. A estratégia do ministério me pareceu flexionada na “teoria da curvatura da vara”, de Lenin (se me permitem o pedantismo…). Se você quer que a vara fique torta pra direita dois metros, curve-a nessa direção em quatro metros que, depois de força-la, ela tenderá, espontaneamente, a voltar para dois metros curvada a direita. Em miúdos: para evitar balacobaco a altas horas da noite, o ministério vem com uma medida enérgica. Embora, para mim, o próprio ministério não quer que o silêncio impere. É apenas uma ação radical para se ter resultados equilibrados. Enfim.

Pra não dizer que não sou birrento:

Dentre os apelidos que a CCB supostamente angariou nos últimos anos, o mais injusto, a meu ver, é o tal “Congregação Cristã do Barril”. Fiquei sabendo disso, primeiramente, por meio de um livrinho de um pastor da Assembléia de Deus que, de acordo com seu próprio testemunho, frequentou a CCB em tempos longínquos (refiro-me a “Igreja do Véu: igreja ou heresia?”). Diz, lá, que as festas realizadas por membros da igreja são verdadeiros bacanais etílicos. Eu, com tanto tempo frequentando a denominação, jamais vi isso ocorrer. Morei em três estados brasileiros e já vi, dezenas de vezes, pregações contrárias ao alcoolismo, assim como os demais vícios. Não seria injusto aceitar apelidos que cristãos de outras denominações, sabe-se lá com qual interesse, impigem a CCB?

Contraditoriamente, o mesmo texto de Ricardo Alexandre atribui a CCB ethos semelhante às demais igrejas pentecostais. Para ele, impera o “não-pode”: “assistir televisão, ir à praia, tomar bebidas alcoólicas, ouvir música mundana, dançar, fumar (…)”. Ora, segue a pergunta então: na Congregação, beber birita poooode ou não poooode?

Enfim.

Isso, claro, não desmerece a excelente qualidade que reputo ao artigo.

PS: o melhor livro sobre costumes, doutrinas, e pode-não-pode continua sendo, a meu ver, o “É proibido”, do Ricardo Gondim. Isso não me impede de dizer que não há, de minha parte, concordância integral com o que o eminente pastor escreve…

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