Upgrade na Escola, atualização nas RJM

3 05 2010

Para cada tempo, uma escola específica. Esse é um lema que, de tão óbvia que é nos circuitos educacionais, tornou-se jargão. É fazendo uso dele que se chega, hoje, a conclusão de que a escola não pode ensinar a criança tal qual fazia há setenta anos.

Escola de ontem, escola de hoje

Mas como, enfim, era a escola setenta anos atrás? Bem, não precisa procurar nenhum manual de história da educação. Basta um dedo de prosa com um avô, ou qualquer outro idoso. Com poucos livros disponíveis, a escola era o local-fonte de informações. Por isso, era necessário que aquelas informações veiculadas ficassem impressas de forma duradoura na mente. O recurso para isso? Mil e uma coisas para decorar.

Claro, um pouco de memória no processo educativo é fundamental. Mas o que a escola tradicional fez foi fundamentar toda a aprendizagem em estratégias de memorização, muitas delas destituídas de significado. Decorava-se muita coisa, mas, claramente, poucas delas faziam sentido. Decorava-se para a prova, tão somente. Os livros didáticos, inclusive, facilitavam: com poucas imagens, eram estruturados em pontos, exatamente para que o professor pudesse ‘tomá-los’, isto é, para que os pobres alunos pudessem expelir, palavra por palavra, tudo aquilo que leu.

Essa é uma herança perversa deixada por essa escola, dita tradicional. Não há mais necessidade de decorar toda informação constante nos programas curriculares da escola. Bilhões de informações estão distantes do indivíduo por um clique. E com tanta informação, tornou-se inviável, em nosso cotidiano, registrá-la com precisão nos arquivos cerebrais.

O que a escola e a sociedade atuais apresentam como demanda urgente? Que as coisas aprendidas tenham significado para o aprendiz, para que, a partir deles, represente uma mudança em seu cotidiano, no presente e em um futuro próximo. Não dá mais para entender o processo de aprendizagem como algo descartável, válido apenas para uma prova – seja ela um simples teste ou um vestibular.

Por outro lado, não se pode pensar, no mundo atual, em um professor que ensine tal qual fazia seu companheiro de ofício do início do século XX, isto é, sem diálogo, assumindo autoritariamente o centro da aprendizagem. O professor do século XXI deve, sobretudo, estar sintonizado com o tempo e a cultura da criançada. Assim não sendo, podemos ter certeza que, por mais bem intencionado seja o professor, a mensagem sairá sempre em ondas AM para meninos que recebem apenas em FM.

Mas, meu senhor, onde queres chegar?

As reuniões de jovens e menores (RJM)

Ora, sabemos que o modelo de escola para crianças e jovens da Congregação foi gestado em um período onde “decorar” era a palavra de ordem. Alvorecia, lá pelos idos dos anos 1940, essa pedagogia. É esse contexto que possibilita compreender a formulação dos “Recitativos” como uma estratégia de ensino e de aprendizagem da Palavra de Deus.

Porque hoje os recitativos podem não ser a melhor opção?

Ora, os exemplos da escola tradicional, incrustrada no século XXI, dão mostra de que tal estratégia não é mais produtiva. Isto é, um aluno excelente repetidor pode não ser um excelente aluno pensante. Não estimulando firmemente seu raciocínio, dificilmente conseguirá VIVER, na prática, todos os ensinamentos dispostos.

Não é necessário mais decorar a Palavra de Deus. Existem bíblias de diversos tamanhos, de modo que podemos sair por aí com uma no bolso, ao alcance em qualquer eventualidade. É preciso, no entanto, vivê-la em sua plenitude. É preciso estudá-la, contextualizá-la para os difíceis momentos atuais. É preciso ter amor a Palavra de Deus.

E o que tem feito o ‘recitativo’? Gerado uma preocupação com a sequência das palavras do verso, ditas com boa pronúncia, sem titubeios. Isso na melhor das hipóteses. O que mais se tem visto, atualmente, são rapazes e moças lendo o versículo escrito no verso do recitativo. Isso tem fermentado, efetivamente, a garotada para o significado daquilo que é dito? Não, não.

De outro lado, o professor

Ah, o professor. Muitos, como na escola antiga, não vê com bons olhos o franco diálogo, essa novidade da escola moderna. Eu disse franco diálogo, onde, gentilmente, o mestre se coloca simultaneamente como aprendiz e ensinante. Estimula a curiosidade e se dispõe a resolver as dúvidas, ampliando o amor da garotada à Palavra. Aceita críticas e, inclusive, as estimula, porque sabe que não é perfeito e tem desejo de melhorar cada dia. Adequa sua mensagem aos jovens, isto é, comunicam-se eficientemente. É longânime, misericordioso, manso e amoroso. Ao fraco, estende a mão; ao doente espiritual, oferece remédio correspondente.

Substituir… pelo que?

Se chegamos a conclusão de que os recitativos podem ser substituídos por alguma outra estratégia, ou, em grau de mudança menor, ter compartilhado seu objetivo com outras metodologias de ensino, é interessante ressaltá-las.

Primeiramente, é de bom tom ressaltar a interessante novidade que tem surgido nos últimos tempos, em se tratando de Reunião de Jovens e Menores. A referência é, especificamente, à abertura ao estudo bíblico em um domingo por mês, no qual o recitativo é substituído por um bate papo entre o cooperador de jovens e os meninos(as) e moços(as).

No entanto, tal medida ainda tem mostrado ser insuficiente, não obstante a boa vontade de muitos que tentam implementá-la. Em alguns locais, os recitativos não são substituídos, inexistindo o domingo especial para a conversa sobre temas bíblicos. Em outros, os temas são mal dirigidos: há um professor que pergunta (geralmente sobre algum detalhe secundário do texto em questão ou alguma generalidade que evita tratar do tema central do texto), em expectativa de que ouça frases literalmente organizadas.

Não adianta tentar mudar a escola se não se muda os métodos de ensino.

Mas, enfim, sobre a natureza das mudanças: é necessário um mínimo de sistematização na ‘Santa Escola’, isto é, uma uniformização, para que os objetivos sejam minimamente garantidos. Uma das formas para se conseguir isso é a preparação de um material único de apoio aos ministros. Trataria, então, de auxiliar os ministros a exporem a doutrina bíblica em uma linguagem adequada para os jovens (preferencialmente organizados por faixas etárias). Para tanto, seria necessário usar dos momentos de congraçamento ministerial (as reuniões) para apresentar e discutir as estratégias. O ministro deve estar preparado para essa nova estratégia – o que, a meu ver, tem sido um dos maiores problemas das novidades implantadas nos últimos anos.

O que, enfim, representa essas mudanças, também, é o retorno da Congregação a prática primitiva das escolas bíblicas, no formato assumido pela Asamblea Cristiana di Chicago, em sequência pela Congregazioni Cristiana di Chicago (hoje Christian Congregation Church). É, enfim, um acerto de contas com o passado – o pioneiro, não o desses últimos cinquenta anos novidadeiros.

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24 09 2013
A letra mata, mas o Espírito vivifica | CCB Mensagens - O blog

[…] Antes de mais nada, é válido e necessário destacar que este texto foi reproduzido integralmente do blog Pílulas Cristãs. […]

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