Ainda sobre o batismo

13 11 2010

Não costumo receber muitos comentários no blog. Para o pouco tempo que tenho disponível para cuidar desse espaço, isso é muito bom. Em textos que recebo muitas visitas (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), muitos comentários aparecem (e devo isso, sinceramente, aos links no blog do Charles e do Daniel, remetendo para cá tantos visitantes). Alguns dos comentaristas demonstram que sequer leram o texto, e aí não sinto a menor vontade de respondê-los.

Não é o caso de um irmão anônimo (embora forneceu e-mail, que não publico por motivos óbvios), que discordou do teor desse texto.

Discordância que recebo, aliás, de muito bom grado. Questionamentos nos fazem crescer. Como sujeitos falhos, incompletos no entendimento, é com alerta de queridos irmãos que refazemos nossa interpretação, que melhoramos nossa ciência das coisas.

O que não tolero, na verdade, é a discordância grosseira. Comentários assim eu relevo. Deixo-os publicados no blog como evidência da forma que, definitivamente, um cristão NÃO deveria se comportar.

Não é o caso, pois, do comentário desse irmão anônimo. Em boa linguagem, refutou esse meu texto, sobre o batismo. No entanto, os argumentos apresentados não me parecem suficientes para uma retratação de minha parte. Pela relevância do tema – e por acreditar que muitos irmãos eventualmente passam por aqui – decidi dialogar com o referido irmão abrindo um novo post, dada até o tamanho que esse texto alcançou. Vamos, então, aos argumentos apresentados.

~*~

A paz de Deus meu irmão.

Entendo perfeitamente o seu pensamento acerca do batismo, e é um direito seu.
No entanto, não é correto induzir seus leitores a crerem que a Congregação Cristã acredita no batismo que você menciona.

Você usou de alegorias de certos hinos para extrair a doutrina que você quer crer, mas que não é a oficial.

Amém, prezado. Agradeço, inicialmente, a gentileza em considerar o meu direito em expressar o que penso sobre o batismo. De fato, é um direito meu.

Quanto a “induzir seus leitores a crerem que a Congregação Cristã acredita no batismo que você menciona”, eu apresentei vários e vários hinos que, curiosamente, você não apresentou nenhum contra-argumento. Preferiu, aliás, sugerir que fiz uma leitura capciosa, e que assim escrevi apenas para gerar confusão nos leitores. Mas, repito, não procurou refutar nenhum dos hinos que, supostamente, selecionei para “extrair a doutrina” que quero crer.

E disso, meu irmão, não tenho dúvidas: a doutrina que quero crer é aquela que me garante o Evangelho de Jesus Cristo, independente do que diz autoridade A ou B.

~*~

“Curioso foi ver que você se esqueceu do nosso principal hino de batismo, o 195, provavelmente o fez por conveniência.

Hino 195 – Parte 1 verso 3:

Pelo batismo és sepultado
Para ao mundo renunciar;
Sendo por Cristo regenerado,
Em Seu caminho podes andar

Parte 2 (após o batismo) verso 1 e coro:
Ó irmão caro, já batizado,
Ressuscitaste com o Senhor,
Vivificado e transformado
Para servir a Deus, Formador.

CORO: Alegremente, irmão querido,
Louva o Cordeiro, teu Salvador;
Pelo Seu sangue foste remido,
E filho és de Deus, Criador.”

Prezado, você me acusa de “esquecer” do hino 195 por “conveniência”. No entanto, você se equivoca duplamente. Primeiro, por não ter lido minha citação do hino 195 – SIM, ela existe! E você próprio, posteriormente, reconhece, uma vez que acusa, no final de seu comentário, erros na análise do referido hino! Segundo, pela leviana acusação de “conveniência”.

Explico.

Quando se trata de discutir o poder regenerador do batismo (isto é, se o batismo tem ou não poder, em si mesmo, de perdão dos pecados), quem assim defende recorre a, especialmente, três versículos da bíblia (1 Pd, 3:21, At, 2:37-38 e At, 22:16), e esquece de dezenas (DEZENAS) de outros que tratam exatamente do mesmo tema. Isso sim, é CONVENIÊNCIA…

Conveniência que é, TAMBÉM, saltar todos os hinos de batismo para escolher APENAS um deles, usando-o para defender uma doutrina que, supostamente, seria a oficial da Congregação Cristã.

Ora, a segunda parte do Hino 195 trata do símbolo do batismo, qual seja, o sepultamento do velho homem. Assim, “fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm, 6:3-5). Portanto, ao ser imersos nas águas, temos a “semelhança” da morte de Cristo. Simbolicamente, “sepultamos” o velho homem. “Morto” o velho homem, assumimos publicamente, à Igreja e ao mundo, a conversão operada ANTERIORMENTE ao batismo. Conversão, evidentemente, operada pela fé, dom gratuito nos concedido por Deus.

Mais claro ainda sobre o que seja nossa doutrina? Ponto de doutrina 5:

Nós cremos que a regeneração, ou o novo nascimento, se recebe pela fé em Jesus Cristo, que pelos nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação. Os que estão em Cristo Jesus são novas criaturas. Jesus Cristo, para nós, foi feito por Deus sabedoria, justiça, santificação e redenção.”

~*~

Não estou aqui discutindo seu ponto de vista, nem quero entrar no mérito.

Se quiseres entrar em contato comigo, posso lhe enviar inúmeros textos dos tópicos de ensinamento que evidenciam seu equívoco.
Não existe confusão, ou desinformação, é cristalino: 99% dos crentes creêm nisso
.”

Prezado irmão, entendo perfeitamente sua sensibilidade em discordar do meu ponto de vista. Como dito lá em cima, nós dois temos direitos de pensar diferente. No diálogo – que pressupõe falar e ouvir – podemos aproximar e afinar nossos pensamentos.

Quanto a 99% dos crentes acreditarem no que você defende, acho o percentual um tanto quanto distorcido. Talvez se refira a crentes da CCB. Talvez. E, mesmo sendo assim, ainda acho o número elevado (gostaria de saber suas fontes). Em todo caso, ao reler meu texto você verificará que reconheço que seu pensamento – embora não concorde com ele – é compartilhado por muitos anciãos (leia a conclusão do post, por favor).

Em relação aos “inúmeros textos dos tópicos de ensinamento” que demonstram meu equívoco sobre o batismo, duas palavras.

Primeiro, os ensinamentos não são regra de fé, sequer são doutrina. A doutrina da Congregação Cristã, a oficial, está exposta no verso do hinário. O que está ali é a doutrina que sigo e tenho verdadeiro apreço (por ser BÍBLICA, acima de qualquer tradição ou costume), e que me faz sentir tão bem na Congregação. Os ensinamentos são conselhos dados por benevolentes anciãos, bem intencionados em dirigir os destinos da CCB, mas que, também, não são infalíveis (aliás, o papa, em tempos remotos, declarou sua infalibilidade, e deu no que deu. Não é um exemplo a ser seguido).

Segundo, muitos dos ensinamentos se contradizem. Às vezes, o que é determinado em um ano, é repensado em outro. Isto é: como DOUTRINA, não são, os ensinamentos, fontes confiáveis. De novo: nossa doutrina está exposta no verso de nosso hinário desde 1927, quando ocorreu a Convenção de Niágara, responsável pela elaboração dos doze pontos de doutrina. Para acertar-lhe, ainda, a nossa verdadeira doutrina sobre o batismo, convido-o a conhecer o testemunho fornecido por Francescon e disponível, a módico R$ 1,00, nas principais congregações no Brasil. Eu escrevi sobre esse testemunho aqui.

Em todo caso, e até para comprovar o que disse a respeito dos ensinamentos, gostaria que você meditasse sobre o seguinte, datado de 1986 (nesse caso, admito, estou sendo conveniente… :)):

“Nascer da água significa nascer da Palavra de Deus. O batismo não é nascimento: é sepultamento do velho homem.

Não é exatamente esse o raciocínio desenvolvido nesse texto?

~*~

“Resumindo: Na nossa doutrina, oficial, os pecados são perdoados PELA obra vicária do nosso Senhor Jesus Cristo, mas isso ocorre NO batismo (exclusivamente).

PS. Sua análise sobre o hino 196 está um tanto quanto equivocada.
Sem contar que confunde perdão de pecados com salvação/condenação.”

Bem, já acredito ter explicado suficientemente o que entendo ser nossa doutrina oficial. Sendo nossa doutrina oficial àquela no final do hinário, acredito que minha análise foi correta.

Em relação aos pecados serem perdoados EXCLUSIVAMENTE na cerimônia do batismo, não consigo ver nenhuma fundamentação bíblica, sequer exemplos factuais para servir de base a sua argumentação. Caso me apresente, irei reavaliar minha posição sobre isso.

Por fim, não sei exatamente a quais “equívocos” você se refere, quando trata da minha análise sobre o hino 195. Gostaria de sabê-los, para, sendo o caso, me retrate.

Quanto a confusão entre perdão de pecados e salvação, acredito que haja, na verdade, uma interpretação diferente, entre nós dois, a propósito do papel de Cristo no perdão de pecados e consequente salvação na vida do crente. O que devemos ter em mente é o seguinte: não temos nenhum merecimento pelos pecados perdoados e pela correlacionada salvação. Por isso, fomos “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24).

No mais, agradeço sua participação, esperando mais intervenções suas nesse e em outros textos desse blog, interessado que sou no progressivo entendimento das coisas de Deus, mais e mais, dia após dia.

No amor de Deus, único responsável pela nossa santificação e redenção,

Juliano

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3 responses

10 01 2011
José Junior

Caro irmão,

A paz de Deus! Quero parabeniza-lo pelo esclarecedor artigo sobre o batismo, e dizer que tenho a mesma opinião sobre esse sacramento. Você foi muito feliz e citar que a doutrina da CCB está escrita no final do hinário. Fato este que infelizmente grande parte da irmandade esquece ou simplesmente desconhece, preferindo tomar como doutrina muitas vezes o que é falado sem fundamentação doutrinaria e muito menos bíblica, ao invés de procurar o que está escrito sobre os pontos de doutrina da igreja. Infelizmente essa cultura da irmandade de achar que, tudo que é falado corresponde a verdade absoluta é que vem causando essa distorção na visão de muitos sobre a doutrina da igreja.

Um forte abraço e fique na paz de Deus.

20 02 2011
Wagner Modesto

Bom.. Na verdade eu gostaria de enteder um pouco mais sobre o lançamento do novo hinário. Não mais interessante trabalhar-mos os hinos já existente ao invés de se inserir novos?…. Na verdade, nas congregações são chamados sempre os mesmos mas não seria por falta de um trabalho mais específico com a irmandade?

O que eu acho (quanto músico) é que os novos hinos não são interessantes quanto aos novos.

7 06 2012
SAUL BONFIM PIRES

IRMAOS NAO É O BATISMO QUE LIMPA O HOMEM.O BATISMO É SOMENTE UM RITUAL NA VERDADE QUE LIMPA O HOMEM É A PALAVRA DE DEUS PELA PALAVRA SOIS PURIFICADOS. PORQUE TEM MUITOS QUE SE BATIZARAM 200 VEZEZ E NAO RESOLVEU SEU POBLEMA CONTINUA NAO CRENDO NA PALAVRA.

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