Emilio Conde e o pentecostalismo

3 03 2011

O “Pai da Imprensa Evangélica”: assim é saudado por muitos o profícuo escritor Emilio Conde. Salvo pela fé em Jesus Cristo, e o servindo em uma Congregação Cristã paulista, a sua mudança de residência para o Rio de Janeiro causou também sua transferência denominacional. Assim, passou a frequentar a Assembléia de Deus carioca, que soube bem aproveitar seu talento de escritor.

O contato de Conde com os líderes da Assembléia de Deus antecede, no entanto, sua própria transferência de denominação. A passagem de Gunnar Vingrem em São Paulo, e sua correspondente visita e pregação na Congregação Cristã de São Bernardo do Campo, é registrada por Conde como o momento em que conheceu o missionário sueco.

Dadas essas relações, era de se esperar que Conde tratasse a história do pentecostalismo com mais isenção e objetividade. Lendo um livro de sua autoria, “A história das Assembléias de Deus”, publicado em data incerta (a edição atualizada que tenho é de 2000; não contém, nessa versão, nenhuma informação a respeito de sua primeira edição), o que posso dizer, sinceramente, é que não tive boas impressões.

Embora há uma longa introdução para a edição atual, feita por Claudionor Correia de Andrade, que se esforça para ressaltar outras missões evangelísticas desde o “achamento” das terras brasileiras por Cabral, o livro possui um foco, apenas: historicizar as “Boas Novas”, utilizando única e exclusivamente a história das Assembléias de Deus em território nacional.

Ora, supondo que Conde já havia conhecido a mensagem pentecostal no meio dos ítalo-brasileiros, não é factualmente correto sugerir que a Obra de Deus chegou em São Paulo apenas em 1926, como faz textualmente no livro. O motivo é muito simples: Conde foi testemunha ocular de que isso, na verdade, ocorreu bem antes. Se assim não admite, o faz servindo unicamente a interesses denominacionais, não ao Evangelho Pleno.

Não se pretende, no entanto, desmerecer o papel desempenhado por Conde no meio evangélico. Contudo, poderia ter contribuído para que aspectos secundários da fé não dividissem tão radicalmente as duas denominações. Assim, pelo arrazoado apresentado, Conde apenas pôs mais lenha na fogueira, fomentando o orgulho denominacional, na medida em que ignorou completamente a boa obra realizada entre os descendentes de italianos em São Paulo, no início do século XX.

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