Francescon e a organização da Igreja

12 08 2011

A Carta Circular que segue foi escrita por Luigi Francescon em 1939. Faz referência às duas mais recentes questões que afligiram os cristãos reunidos em Chicago na Christian Assembly/Christian Congregation daqueles tempos: a Validade do Concílio de Jerusalém para os dias de hoje (1926/1927) e a organização da igreja em uma denominação (1938). A tradução é livre, mas procurei preservar integralmente  o sentido original. Essa  carta está anexada a tese de Key Yuasa (2001).

Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo. (Salmos 112:4)

A cara irmandade, firmes na fé que uma vez foi dada aos santos (Judas, 3). Escrevo essa carta com a intenção de iluminar a realidade do que se segue, uma vez que estes pontos têm sido mal apresentados por alguns violadores da fé.

Primeiro: foi a doutrina da “Nova Luz” que levou a divisão espiritual na igreja em Chicago, Illinois, no ano de 1925, e depois foi um administrador da mesma que também propôs a partilha dos bens da casa de oração situada na West Erie Street, 1350-1352. Então os dois grupos se reuniram e os administradores de ambos os lados decidiram, em acordo, pela divisão da propriedade.

A propriedade foi estimada em 14 mil dólares, e foi dada preferência ao grupo da “Nova Luz”, que por sua vez escolheu o local e prometeu nos dar a metade desse valor.

Todavia, depois de dias, ofereceram dificuldade em nos dar o dinheiro, e depois se descobriu que o administrador do outro grupo, que havia sugerido a divisão, tinha vendido a propriedade para sua própria esposa, a fim de não nos dar nada. Então nossos representantes se apresentaram para ele, com 7 mil dólares. Daríamos esse valor, baseado no acordo que fizemos, ou mesmo recebê-los, mas ele se recusou a dar-lhes o valor e também a recebê-los. São estes nossos irmãos? Agora julguem por si mesmo nossa causa com Provérbios 18:17, colocando-se em nosso lugar.

Mas no final desta causa, nosso Benigno Senhor tinha muito mais para nós do que o que restou para eles. E acima disto damos graças a Deus que Ele não deixou que a nossa fé no conselho dado pelo Espírito Santo à Igreja de Jesus Cristo fosse comprometida por nós pela coerência humana, não pela verdade de Deus. Essa coerência fez do homem um hipócrita.

As testemunhas disso ainda estão vivas, com documentos para provar.

Sobre a suposta organização da irmandade na Itália. A lei 1159, de 24 de junho de 1929, permitiu a formação de igrejas no Reino da Itália, e para aqueles que ainda não eram legalizados poderiam também se submeter a admissão. Para isso, era necessário apresentar documentos conforme especificado. Os irmãos eram obrigados a apresentar três certidões, assinado pelo prefeito local: primeiro, cidadania italiana; segundo lugar, boa conduta moral; em terceiro lugar, boa conduta penal. Então os anciãos tiveram que fazer uma declaração coletiva de sua fé, que foi exposto em um opúsculo intitulado “Congregação Cristã (denominada Pentecostal): breves considerações sobre a organização da mesma” e depois foi solicitado em Roma, onde existia uma Congregação com quase 200 membros, que eles elegessem um membro de direito civil entre eles para responder às autoridades do governo.

Na conferência realizada em Roma em 24 e 25 de dezembro de 1929, decidiu-se fazer a pergunta para o Governo do Rei para receber a autorização de culto, não exigindo nada mais, mostrando claramente que a irmandade da Itália nunca teve uma organização humana, dirigentes ou comitês, etc. Por que não mostram os organizadores as cartas de ordenação ministerial conferidas aos anciães da Itália, e do Brasil, fruto das supostas organizações que o irmão Luigi Francescon promoveu nesses países? Porque somente as cartas podem confirmar que eu menti. Mas se esses papéis nunca tiveram nenhuma existência, eles estão fundamentando-se em uma fraude para atingir seus objetivos. Cuidado com essas pessoas que estão culpando e caluniando aqueles que estão se esforçando para permanecer firmes na fé que Deus os chamou. Este procedimento manifesta claramente o desejo de justificar a instabilidade, que é condenado pela Palavra de nosso Senhor, bendito eternamente.

Isso é conhecido por toda a irmandade fiel ao Senhor Jesus, que uma organização na obra de Deus, é uma rebelião aberta contra ele. É um passo que leva a associar-se com o mundo. Limita o poder supremo de Deus. Impede a glória a Cristo segundo Sua Palavra. Suprime a obra devida ao Espírito Santo. Nega a vocação celestial. Rende-se aos costumes dos gentios.

CONSTITUIÇÃO DA IGREJA DE DEUS

Este é o estatuto da irmandade do Brasil:

Jesus é a Cabeça da Igreja. O Espírito Santo é a lei para guiá-la em verdade. A sua organização é a caridade de Deus nos corações de seus membros, que é o vínculo da perfeição. Onde esses três não governam, é satanás que governa em forma de homem para seduzir o povo de Deus com sabedoria humana.

Este é o único documento que regula a irmandade do Brasil na parte espiritual. Depois, há os administradores exigidos por lei civil que estão à frente das coisas materiais.

No que tenho escrito e feito referência a diversos irmãos, intitulado Resumo da Conferência das Igrejas da Congregação Cristã do Brasil, realizada em São Paulo de 20 a 25 de fevereiro de 1936, não há ordens, mas apenas algumas explicações das Escrituras, bons conselhos para casos que ocorrem nesta vida. Assim, no Brasil nunca existiu comitê para dirigir a obra. Até agora somente a Santa Trindade que governa, tal como nos tempos apostólicos, porque a obra a ele pertence. Aleluia.

Para ação de graças, que é devida a Deus Pai, e para o consolo da irmandade na mesma fé, relato-vos parte dessa grande obra que o Senhor Jesus fez, e continuou através do Espírito Santo, e seus fiéis no Brasil. No relatório de 31 de dezembro de 1938 são reportados 252 locais de reunião, e do ano de 1935 até o final de 1938, obedeceram ao mandamento do Senhor Jesus 10.478 novas almas, e muitos foram selados com a promessa do Espírito Santo.

O nosso Senhor começou esta obra no primeiro semestre do ano de 1910, no estado chamado de Paraná, com Sua Poderosa Mão, e eu sou testemunha de suas grandes maravilhas. A Deus seja dado todo o louvor e glória por nosso Salvador Jesus Cristo. Saúdo-vos. Vosso irmão na fé.

Louis Francescon (Assinatura)
N. Trumbull Ave., Chicago, Illinois, Dezembro de 1939.

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11 responses

12 08 2011
Hélio

“Assim, no Brasil nunca existiu comitê para dirigir a obra”.

Bem, naquela época, por que agora existe o comite composto pelos anciães do Brás que perfazem o conselho.

Prova dessa da existência de hegemonia e hierarquia dentro do comite – ou conselho, como queiram – tem sido explicita na divisão ocorrida em Jandira.

Sem mais.

16 08 2011
Juliano Rosa

Eu não sou tão pessimista em relação aos “comitês”. O problema é quando um grupo toma posse dele, e o usa ao seu bel prazer.

A nossa referência doutrinária é clara: a Bíblia é a nossa única e perfeita guia (ponto de doutrina n. 01). E a Palavra de Deus, ao meu ver, não proíbe a gestão da igreja por comitês, ou na forma de Concílios, ou na forma de Assembléias Gerais, ou na forma de Convenções.

E, de novo, minha opinião: acredito que se o ir. Francescon não fosse tão radical em relação a organização da igreja nos EUA (que poderia ser feita nos mesmos moldes declarados por ele em relação a Itália e Brasil), as diversas igrejas (ao que parece, mais de trezentas) estariam em maior estado de comunhão e parceria entre elas. Talvez se estivesse fazendo parte da liderança da antiga Igreja Cristã Italiana da America do Norte (1938), essa denominação preservaria a “herança autogestionária” do movimento pentecostal italiano com mais rigor, não se transformando em “mais uma” denominação evangélica americana.

Na paz de Deus,
Juliano

13 08 2011
leonardomalves

Isso é conhecido por toda a irmandade fiel ao Senhor Jesus:

que a organização na obra de Deus, é uma rebelião aberta contra ele. É um passo que leva a associar-se com o mundo. Limita o poder supremo de Deus. Impede a glória a Cristo segundo Sua Palavra. Suprime a obra devida ao Espírito Santo. Nega a vocação celestial. Rende-se aos costumes dos gentios.

Onde assino?

13 08 2011
Daniel

Francescon deve dar cambalhotas do túmulo, ao ver o que virou a CCB hoje e, pior, o que virou o Brás. Um verdadeiro Vaticano com bulas, excomunhões, indulgências, etc…

Lamentável, ficou para trás todo o ensinamento de um servo de Deus.

16 08 2011
Juliano Rosa

Pois é. Acho que deve ter um meio termo nessa história toda. Acho o “congregacionalismo” de Francescon meio radical mas, ao mesmo tempo, não acho que essa estrutura verticalizada, hierárquica, seja bíblica.

A comparação com o Vaticano – muito forte, aliás – me assusta. Retornaremos aos tempos pré-Lutero?

Na paz de Deus,
Juliano

15 08 2011
bereiano

O livro ” AZUZA – A HISTORIA DO AVIVAMENTO” de FRANK BARTLEMAN mostra que o autor tinha o mesmo pensamento de FRANCESCON.

É um pensamento extremista e impossível nos dias atuais, por que a igreja para ser reconhecida juridicamento como instituição, precisa ser ‘organizada’.

16 08 2011
Juliano Rosa

Eu também acho que o reconhecimento jurídico não importa tanto assim. Afinal de contas, é uma demanda legal.

A desvantagem, para a Igreja Ítalo-Americana, foi não ter um Getúlio Vargas ou um Luigi Einaudi como presidente, exigindo o reconhecimento legal – enquanto pessoa jurídica – das denominações nacionais.

Na paz de Deus,
Juliano

21 09 2011
Valdeci

Na minha opinião, a CCB cresceu muito e se não houvesse uma mudança da forma de governo, já teria se esfacelado em milhares de denominações. Como manter a organização em forma de congresso e seguindo a mesma doutrina e forma de ser igreja? Acho muito difícil isto ocorrer. Não funcionou nos EUA e não funcionaria no Brasil, com a facilidade que o brasileiro tem para inovar.

Penso que o problema do comitê são as regras para fazer parte do mesmo ou presidi-lo e como este comitê age com as demais lideranças da igreja. Por ai começam os questionamentos e as disputas de poder, como estamos vendo ocorrer.

13 01 2012
Elias Sergio de Oliveira

Considero excelente este site e com comunicação e com muito detalhes da igreja. Desejo saber porque foi retirado a placa de constituiçao da igreja, nas congregaçoes da ccb, e quando.
Possuo um arquivo muito bom da ccb, e estou a sua disposição para alguma coisa original.
Atenciosamente….

24 08 2015
matheus

Acho horrivél quando uma pessoa compara o Brás com o Vaticano,nd a ver.
A forma de organização da Congregação é Presbiterianismo e não o Episcopada(Que é hierarquico).
Na CCB ñ existe hierarquia mais sim O Respeito com os Servos mais velhos.
E acho que nós devemos respeitar mais os Anciães do Brás tb.
Muitos ficam falando deles,acusando mais não os conhecem pessoalmente.
Falam do q ñ sabe ou do que ouve/vê falar pelos Internautas(Muitos desses ate dão escânda-los nas suas comuns congregações e sao até desviados/Rebeldes)

24 08 2015
matheus

Falando sobre o Congregacionalismo que o Irmão Francescon tanto defende:
Eu gosto dessa forma de governo mais é muito problemática,se CCB tivesse adotado esse governo hoje ñ existiria ñ sombra dessa organização.
O Congregacionalismo deixa muito independente os Líderes das igreja locais para inovação,mudanças de doutrina,costumes etc
Por isso que ñ deu certo nos EUA mas graças a Deus ele guiou nós no Brasil e hoje vemos quão grande está esta obra e Deus é de abençoar que cresça mais.
Na Wikipédia diz que a CCUS adotou o sistema Congregacional e não-denominacional,Deus é de Abençoa-los.
Eu quero Ir aos EUA visitar as CCUS e as igrejas ítalas-americanas do movimento Pentecostal

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