Cinco conselhos para músicos da Congregação Cristã no Brasil

14 09 2011

1. Não atrase

Afinação é tudo no som de uma orquestra. Perder o momento de afinação pode, de fato, desandar o andamento dos hinos.

Chegar atrasado não perturba somente a afinação. Os irmãos devem estar em comunhão e devidamente sentados bem antes do início do culto. É desagradável ajeitar aqui e ali para acolher retardatários.

Mas não se incomode: quando notar os bancos todos ocupados, desmonte seu instrumento e louve a Deus com sua voz. Porque, afinal, os músicos sentados e entrosados conseguirão tranquilamente auxiliar a irmandade a cantar hinos.

2. O conjunto musical não exige solista

Na Congregação existem dezenas de excelentes saxofonistas, clarinetistas, tubistas, etc. Mas, feliz ou infelizmente, não há nenhum momento para um solista. Então, resigne-se: somente temos valor quando nos encaixamos naquilo que somos: um mero componente – assim como tantos outros – da orquestra.

Querer mostrar como o trinado de seu saxofone é excelente – ou como o estrondo de seu bombardão é potente – desequilibra e tira a beleza do som orquestrado. Assim como o coro congregacional é bonito porque ninguém se destaca, o mesmo ocorre com a orquestra. Deixe toda sua habilidade, portanto, para ser exercitada em tocatas em sua casa ou na casa dos amigos.

3. Os músicos auxiliam a irmandade, não o inverso

De nada adianta você pensar que o 157, para ficar bonito, deve ser tocado em menos de dois minutos se, durante esse tempo, os irmãos com pouca leitura e os idosos não conseguem cantar. É você que auxilia o canto, não o contrário!*

Aqueles que cantam querem ter uma noção da altura e da velocidade do hino. Achar que a irmandade canta muito lento e, pra mudar isso, querer tocar muito rápido, é um erro grotesco. O hino ficará do seu jeito, mas a contragosto da irmandade. Você é um servo dos irmãos que cantam!

4. Sua comum congregação é sua comum congregação!

O dia de culto da sua comum coincide com o dia de culto naquela famosa congregação? Paciência. Você pode ir outros dias naquela igreja. Sua congregação depende de você.

Da mesma maneira, muitos músicos, seduzidos por atividades de lazer (internet, TV, sair com amigos, ou simplesmente ficar em casa) não congregam no dia de culto na sua congregação. Está errado. Assuma o compromisso, rapaz!

5. Adequação do instrumento

Seu instrumento foi preparado pra fazer soprano? Pois bem, faça soprano. Tendo excesso de músicos no soprano, faça contralto. Mas jamais, never, execute tenor ou baixo. Você não sabe como fica feio…

Os instrumentos são construídos para desempenharem determinada função musical que, se mudada, desanda de sua proposta enquanto instrumento. Por mais que você seja o tal no seu instrumento, não atente contra essa bela regra.

Assim sendo,
Fique na paz e no amor de Deus.

* Mas, veja lá, sobriedade e bom senso na interpretação dos valores das notas, hein? Nada de querer tocar o 157 em vinte minutos…

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A grandeza do amor e da Graça de Deus

2 08 2011

Ah, a grandeza do amor de Deus!

Permitiu que seu Unigênito Filho, Puro e Imaculado, descesse a Terra para que, em um corpo humano, passasse por humilhações que nem os mais desprezíveis homens mereceriam!

Ah, a grandeza do amor de Deus!

Escolheu-nos diante de tantos outros, e pacientemente nos tolera em nossas imperfeições, não nos renegando e nem nos abandonando por nossa falta de méritos!

Ah, a grandeza da Graça de Deus!

Como pode, Senhor, sua Graça ser tamanha?

Escolhe-nos sem nenhum mérito e com misericórdia nos conduz a Perfeição sendo nós imperfeitos, faltantes, pecadores! “Nada a ela se pode igualar!”

Ah, a grandeza da Graça de Deus!

Por nós, Jesus Cristo se fez justificação e santificação! É Ele que nos justifica, é Ele que nos santifica!

Ah, a grandeza da Misericórdia de Deus!

Não tendo em nós mesmos nenhum mérito, nos deu Seu Filho para nossa justificação! Mesmo não merecendo, Cristo é o nosso advogado! Como somos carentes da Misericórdia de Deus!

Ah, a grandeza da Misericórdia de Deus!

Pequenos nós somos, mas grande é Nosso Deus! Somos servos inúteis, mas Cristo, a Rocha, nos capacita às boas obras! Somos duros de coração e levianos em nossa natureza humana, mas corrigidos somos cotidianamente pelo poder do Espírito Santo que habita em nós!

Ah, como é Grande o Nosso Deus! Ah, como miseráveis nós somos! Como somos dependentes de Sua Graça! Como é bom saber do futuro que nos é garantido!





A “presidência” do ministério

18 11 2010

Não deixa de ser engraçado o uso da nomenclatura “presidente” (cargo extra-bíblico, aliás) para o chefe de muitos ministérios evangélicos. Em alguns, o presidente é vitalício (para isso, o nome correto do cargo é ditador), e em outros, além da vitalicidade, o cargo é passado de pai para filho (para isso, o nome correto é imperador, rei, monarca, etc.). Quando se acerca de que nenhum dos casos se aplica, lá vamos nós descobrir que a eleição para a presidência é cheia de “pequenas” fraudes ou, no mínimo, o processo eleitoral não é genuinamente democrático.

Ou seja, a “presidência”, que invoca fundamentos democráticos na rotatividade do poder, está longe da presidência, a legítima, sem aspas.

Eu poderia ser refutado pelo fato de que “presidência” é um termo que não é aplicado somente em sua acepção política vinculada a democracia. Tudo bem, diria. Mas a igreja não pode ser, por outro lado, gerida conforme é uma empresa. Igreja não é propriedade privada. Igreja não é feudo de ninguém.

Isso, é claro, em tese. Porque, na prática…

Os presidentes, cada qual, comandam a sua empresa evangélica, a sua propriedade religiosa. Não é de se espantar que as denominações, no geral, apresentam tantos problemas.





O plágio

12 11 2010

Recentemente, tive um texto copiado e publicado em outro blog. Tem gente que se sente elogiado, ao ver um texto seu publicado em outros meios. A maioria – eu estou incluso aí – se sente como se fosse… furtada.

Na prática, o que acontece é isso mesmo: furto, roubo. Você gasta minutos, horas, dias, e o incauto gasta dois a três segundos para dizer que aquelas horas somadas em texto são… dele próprio.

Legalmente, a legislação garante o direito autoral. Roubar frases, portanto, além de ser um problema moral é também crime.

Como se não bastasse, há ainda outro problema: eu, como tantos outros, não monetizo o blog. Sou um blogueiro amador e não faço planos de me profissionalizar. Não mesmo. Assim, não ganho um tostão com o que publico.

O blog que publicou meu texto é monetizado. Logo, seu autor recebe pelas propagandas autorizadas que veicula por lá. Mas, para receber alguma coisa do Google, ele deve receber visitas. E como receber visitas se não tem conteúdo, não é? A solução, para os plagiadores, é simples: basta sequenciar o Control+C  e o Control+V.

Blogs cristãos, ao lidar com gerencialmento de conteúdo, devem ter especial cuidado. O referido blog, evidentemente, parece não ter foco. Constrangido, meu texto está entre uma fabulazinha e uma… PIADA.

Mas, enfim, não vou me delongar sobre críticas a gestão de conteúdo do referido blog. Daniel já o refutou suficientemente. Todavia, fica registrada aqui minha insatisfação com o plágio, esse comportamento moralmente condenável – tanto em cristãos como em não-cristãos.





Disciplina

9 02 2009

Pois bem: tenho passado esses últimos meses desempenhando uma função nada agradável no meu trabalho. Estou em uma comissão disciplinar. Dela, trago profundas angústias. Evidentemente, essa crise não deve ser sempre popular entre àqueles que têm prazer em tomar medidas punitivas.

De tão onerosa experiência, fico a pensar quantos líderes não se sentem mal ao ter que disciplinar os membros. Mesmo sabendo – e tendo plena consciência – que a disciplina é necessária.

Claro, devem dizer, mas há gente que gosta de disciplinar. De fato, existem muitos. Mas aqueles que disciplinam com amor sentem tanta dor quanto aquele que é disciplinado, podem ter certeza.





Sobre fazer nossa parte

5 02 2009

Somos ingratos por definição. Por mais que tentamos ser bons, nossa natureza pecaminosa nos impede.

~*~

Dia desses conversando com um amigo sobre a suficiência de Cristo para nossa salvação, ouvi como resposta “mas nós temos que fazer nossa parte, certo?”.

Resta saber o que é exatamente nossa parte. A julgar por nossa ímpia natureza, se tivéssemos algo a contribuir com nossa salvação, muito provavelmente aumentaria nosso demérito; afinal, nossa natureza carnal nos impele para aquilo que é carnal. Se, por seu lado, o que nós temos de mais sublime é a fé – que, na verdade, é dom de Deus – o que nós poderíamos contribuir com nossa própria salvação? Nada, pois até aquilo que nos é sublime não é nosso – é dom de Deus.

Eu não quero fazer minha parte. Cristo foi suficiente, em sua Obra na Cruz, para me dar a salvação. O Espírito Santo, que habita em mim, serve como meu auxílio no caminhar cristão. Se ofereço bons frutos, não é por minha bondade: é porque a luz de Cristo resplandece em mim.





Do ano que se passou

4 02 2009

Há mais de um ano, tive o que, em algumas situações, é descrita como ‘crise existencial’. Estava passando por uma série de indefinições profissionais, financeiras, acadêmicas… um todo confuso e repentino. Não via saída. Nenhuma saída.

Acordava com taquicardia. Um pavor assolava o levantar e o deitar. Embora sentia Deus na profundidade de minha alma, duvidava de seu efetivo poder (veja que tolice). Eu argumentava, solenemente, que Deus cuidava apenas das coisas espirituais. E ali estava eu: em um beco, cotidiano amargo, sem esperança – e refém da propria concepção que tinha da relação de Deus com a humanidade.

Nesse período, tive uma viagem solitária de mais de 10 horas em um ônibus. Descobri, já no meio da viagem, um servo de Deus. Trocamos várias palavras até que, usado por Deus, vi minha vida passar diante daquelas palavras que eu ouvia daquele homem. O Senhor me compungiu em lágrimas.

Embora aliviado por sentir Deus ao meu lado, tive que conviver ainda com aquela tribulação por alguns meses. Hoje, vejo que foram alguns dias. O que são, na verdade, meses de sofrimento se o que o Senhor nos preparou é eterno? Porque, então, a ansiedade, não é mesmo?

Desse período, tive algumas conclusões preciosas: primeira delas, é que Deus tem seu tempo determinado. Ele tem, irrevogavelmente. Não temos procuração para determinar nada em seu nome. Nem sempre esse tempo divino coincide com o nosso. É preciso ter paciência.

Segunda, Deus é poderoso. E opera, nos dias de hoje. Em situações que vemos o impossível, Deus apresenta o possível. Onde vemos dificuldade, Deus coloca-nos a solução.

Terceira, fui conduzido a um estado de paciência que ainda não tinha. Lição vivida: a paciência é a melhor arma contra a ansiedade. Todavia, a fé gera paciência. A verdadeira fé instrumentaliza-nos na mais nobre paciência.

~*~

O estado perfeito da paciência nos deixa mais cheio de temperança, de alteridade. Temos mais habilidade em tratar com aqueles que pensam diferente. Mesmo que, vez ou outra, escapamos desse propósito, é a ele que devemos perseguir. Pois é assim, a meu ver, que o amor se manifesta. Porque amar aquele que nos ama é fácil…*

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* Ou nem sempre… vide caso do amor de Cristo por nós, ignorado por tantos…