Cinco conselhos para músicos da Congregação Cristã no Brasil

14 09 2011

1. Não atrase

Afinação é tudo no som de uma orquestra. Perder o momento de afinação pode, de fato, desandar o andamento dos hinos.

Chegar atrasado não perturba somente a afinação. Os irmãos devem estar em comunhão e devidamente sentados bem antes do início do culto. É desagradável ajeitar aqui e ali para acolher retardatários.

Mas não se incomode: quando notar os bancos todos ocupados, desmonte seu instrumento e louve a Deus com sua voz. Porque, afinal, os músicos sentados e entrosados conseguirão tranquilamente auxiliar a irmandade a cantar hinos.

2. O conjunto musical não exige solista

Na Congregação existem dezenas de excelentes saxofonistas, clarinetistas, tubistas, etc. Mas, feliz ou infelizmente, não há nenhum momento para um solista. Então, resigne-se: somente temos valor quando nos encaixamos naquilo que somos: um mero componente – assim como tantos outros – da orquestra.

Querer mostrar como o trinado de seu saxofone é excelente – ou como o estrondo de seu bombardão é potente – desequilibra e tira a beleza do som orquestrado. Assim como o coro congregacional é bonito porque ninguém se destaca, o mesmo ocorre com a orquestra. Deixe toda sua habilidade, portanto, para ser exercitada em tocatas em sua casa ou na casa dos amigos.

3. Os músicos auxiliam a irmandade, não o inverso

De nada adianta você pensar que o 157, para ficar bonito, deve ser tocado em menos de dois minutos se, durante esse tempo, os irmãos com pouca leitura e os idosos não conseguem cantar. É você que auxilia o canto, não o contrário!*

Aqueles que cantam querem ter uma noção da altura e da velocidade do hino. Achar que a irmandade canta muito lento e, pra mudar isso, querer tocar muito rápido, é um erro grotesco. O hino ficará do seu jeito, mas a contragosto da irmandade. Você é um servo dos irmãos que cantam!

4. Sua comum congregação é sua comum congregação!

O dia de culto da sua comum coincide com o dia de culto naquela famosa congregação? Paciência. Você pode ir outros dias naquela igreja. Sua congregação depende de você.

Da mesma maneira, muitos músicos, seduzidos por atividades de lazer (internet, TV, sair com amigos, ou simplesmente ficar em casa) não congregam no dia de culto na sua congregação. Está errado. Assuma o compromisso, rapaz!

5. Adequação do instrumento

Seu instrumento foi preparado pra fazer soprano? Pois bem, faça soprano. Tendo excesso de músicos no soprano, faça contralto. Mas jamais, never, execute tenor ou baixo. Você não sabe como fica feio…

Os instrumentos são construídos para desempenharem determinada função musical que, se mudada, desanda de sua proposta enquanto instrumento. Por mais que você seja o tal no seu instrumento, não atente contra essa bela regra.

Assim sendo,
Fique na paz e no amor de Deus.

* Mas, veja lá, sobriedade e bom senso na interpretação dos valores das notas, hein? Nada de querer tocar o 157 em vinte minutos…





Sobre a Congregação Cristã – Ministério de Jandira

17 08 2011

Em um antigo fórum do qual fazia parte, houve um longo e extenso tópico de debate sobre a criação do Ministério Independente de Jandira, uma Congregação Cristã sem ligação com a pessoa jurídica situada na Rua Visconde de Parnaíba, 1616, Brás, São Paulo.

À época, ficava questionando a mim mesmo se esse problema todo ocorreria se fôssemos mais humildes. E essa reflexão valeria para ambos os lados.

Continue lendo »





A diferença entre “falta” e “pecado”

15 08 2011

Pecado:

1 violação de um preceito religioso
2 Derivação: por extensão de sentido.
desobediência a qualquer norma ou preceito; falta, erro

Falta:
5 ato condenado pela moral familiar ou religiosa; ofensa, pecado
Ex.: o confessor perdoou-lhe as f.
6 ausência de correção; erro, engano
Ex.: comete muitas f. gramaticais
7 imperfeição moral; falha
Ex.: seu caráter não está isento de faltas

Fonte: Dicionário Houaiss

~*~

Em miúdos: aquele que praticou uma “falta”, cometeu um “pecado”. Aquele que praticou um “pecado”, cometeu uma “falta”.

Não há, na Palavra de Deus, o recurso de “falta” para abrandar o erro humano. Toda “falta” perante Deus é um pecado. Todo pecado perante Deus é uma “falta”.

Da distinção dos pecados

Existe sim, ao contrário do que muitos pensam, uma graduação do pecado. Existe o Pecadão, e para esse não tem perdão nem nesse século e nem no vindouro, e o pecadinho.

O Pecadão, como se sabe, é o pecado imperdoável. É a blasfêmia contra o Espírito Santo. Em outras palavras, é desprezar a obra do Espírito Santo, negando sua eficácia. Quando se atribui a Satanás uma obra que é do Espírito Santo incorre-se também em blasfêmia.

Já os pecadinhos, são todos aqueles que vêm acoplados na nossa natureza humana, herança de Adão. São as obras da carne. Paulo, em Gálatas 5, as lista:

19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia,
20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,
21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

Ou seja: quem vive em adultério tem o pecado igualado a aquele que vive em bebedice. Quem não está em adultério, mas tem seu coração mergulhado na lascívia, também está em pecado. A tão comum inveja, veja só, se iguala ao pecado da heresia.

E o texto é claro: os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

Vivamos, portanto, sob a Graça de Cristo.





Ainda sobre o batismo

13 11 2010

Não costumo receber muitos comentários no blog. Para o pouco tempo que tenho disponível para cuidar desse espaço, isso é muito bom. Em textos que recebo muitas visitas (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), muitos comentários aparecem (e devo isso, sinceramente, aos links no blog do Charles e do Daniel, remetendo para cá tantos visitantes). Alguns dos comentaristas demonstram que sequer leram o texto, e aí não sinto a menor vontade de respondê-los.

Não é o caso de um irmão anônimo (embora forneceu e-mail, que não publico por motivos óbvios), que discordou do teor desse texto.

Discordância que recebo, aliás, de muito bom grado. Questionamentos nos fazem crescer. Como sujeitos falhos, incompletos no entendimento, é com alerta de queridos irmãos que refazemos nossa interpretação, que melhoramos nossa ciência das coisas.

O que não tolero, na verdade, é a discordância grosseira. Comentários assim eu relevo. Deixo-os publicados no blog como evidência da forma que, definitivamente, um cristão NÃO deveria se comportar.

Não é o caso, pois, do comentário desse irmão anônimo. Em boa linguagem, refutou esse meu texto, sobre o batismo. No entanto, os argumentos apresentados não me parecem suficientes para uma retratação de minha parte. Pela relevância do tema – e por acreditar que muitos irmãos eventualmente passam por aqui – decidi dialogar com o referido irmão abrindo um novo post, dada até o tamanho que esse texto alcançou. Vamos, então, aos argumentos apresentados.

~*~

A paz de Deus meu irmão.

Entendo perfeitamente o seu pensamento acerca do batismo, e é um direito seu.
No entanto, não é correto induzir seus leitores a crerem que a Congregação Cristã acredita no batismo que você menciona.

Você usou de alegorias de certos hinos para extrair a doutrina que você quer crer, mas que não é a oficial.

Amém, prezado. Agradeço, inicialmente, a gentileza em considerar o meu direito em expressar o que penso sobre o batismo. De fato, é um direito meu.

Quanto a “induzir seus leitores a crerem que a Congregação Cristã acredita no batismo que você menciona”, eu apresentei vários e vários hinos que, curiosamente, você não apresentou nenhum contra-argumento. Preferiu, aliás, sugerir que fiz uma leitura capciosa, e que assim escrevi apenas para gerar confusão nos leitores. Mas, repito, não procurou refutar nenhum dos hinos que, supostamente, selecionei para “extrair a doutrina” que quero crer.

E disso, meu irmão, não tenho dúvidas: a doutrina que quero crer é aquela que me garante o Evangelho de Jesus Cristo, independente do que diz autoridade A ou B.

~*~

“Curioso foi ver que você se esqueceu do nosso principal hino de batismo, o 195, provavelmente o fez por conveniência.

Hino 195 – Parte 1 verso 3:

Pelo batismo és sepultado
Para ao mundo renunciar;
Sendo por Cristo regenerado,
Em Seu caminho podes andar

Parte 2 (após o batismo) verso 1 e coro:
Ó irmão caro, já batizado,
Ressuscitaste com o Senhor,
Vivificado e transformado
Para servir a Deus, Formador.

CORO: Alegremente, irmão querido,
Louva o Cordeiro, teu Salvador;
Pelo Seu sangue foste remido,
E filho és de Deus, Criador.”

Prezado, você me acusa de “esquecer” do hino 195 por “conveniência”. No entanto, você se equivoca duplamente. Primeiro, por não ter lido minha citação do hino 195 – SIM, ela existe! E você próprio, posteriormente, reconhece, uma vez que acusa, no final de seu comentário, erros na análise do referido hino! Segundo, pela leviana acusação de “conveniência”.

Explico.

Quando se trata de discutir o poder regenerador do batismo (isto é, se o batismo tem ou não poder, em si mesmo, de perdão dos pecados), quem assim defende recorre a, especialmente, três versículos da bíblia (1 Pd, 3:21, At, 2:37-38 e At, 22:16), e esquece de dezenas (DEZENAS) de outros que tratam exatamente do mesmo tema. Isso sim, é CONVENIÊNCIA…

Conveniência que é, TAMBÉM, saltar todos os hinos de batismo para escolher APENAS um deles, usando-o para defender uma doutrina que, supostamente, seria a oficial da Congregação Cristã.

Ora, a segunda parte do Hino 195 trata do símbolo do batismo, qual seja, o sepultamento do velho homem. Assim, “fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm, 6:3-5). Portanto, ao ser imersos nas águas, temos a “semelhança” da morte de Cristo. Simbolicamente, “sepultamos” o velho homem. “Morto” o velho homem, assumimos publicamente, à Igreja e ao mundo, a conversão operada ANTERIORMENTE ao batismo. Conversão, evidentemente, operada pela fé, dom gratuito nos concedido por Deus.

Mais claro ainda sobre o que seja nossa doutrina? Ponto de doutrina 5:

Nós cremos que a regeneração, ou o novo nascimento, se recebe pela fé em Jesus Cristo, que pelos nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação. Os que estão em Cristo Jesus são novas criaturas. Jesus Cristo, para nós, foi feito por Deus sabedoria, justiça, santificação e redenção.”

~*~

Não estou aqui discutindo seu ponto de vista, nem quero entrar no mérito.

Se quiseres entrar em contato comigo, posso lhe enviar inúmeros textos dos tópicos de ensinamento que evidenciam seu equívoco.
Não existe confusão, ou desinformação, é cristalino: 99% dos crentes creêm nisso
.”

Prezado irmão, entendo perfeitamente sua sensibilidade em discordar do meu ponto de vista. Como dito lá em cima, nós dois temos direitos de pensar diferente. No diálogo – que pressupõe falar e ouvir – podemos aproximar e afinar nossos pensamentos.

Quanto a 99% dos crentes acreditarem no que você defende, acho o percentual um tanto quanto distorcido. Talvez se refira a crentes da CCB. Talvez. E, mesmo sendo assim, ainda acho o número elevado (gostaria de saber suas fontes). Em todo caso, ao reler meu texto você verificará que reconheço que seu pensamento – embora não concorde com ele – é compartilhado por muitos anciãos (leia a conclusão do post, por favor).

Em relação aos “inúmeros textos dos tópicos de ensinamento” que demonstram meu equívoco sobre o batismo, duas palavras.

Primeiro, os ensinamentos não são regra de fé, sequer são doutrina. A doutrina da Congregação Cristã, a oficial, está exposta no verso do hinário. O que está ali é a doutrina que sigo e tenho verdadeiro apreço (por ser BÍBLICA, acima de qualquer tradição ou costume), e que me faz sentir tão bem na Congregação. Os ensinamentos são conselhos dados por benevolentes anciãos, bem intencionados em dirigir os destinos da CCB, mas que, também, não são infalíveis (aliás, o papa, em tempos remotos, declarou sua infalibilidade, e deu no que deu. Não é um exemplo a ser seguido).

Segundo, muitos dos ensinamentos se contradizem. Às vezes, o que é determinado em um ano, é repensado em outro. Isto é: como DOUTRINA, não são, os ensinamentos, fontes confiáveis. De novo: nossa doutrina está exposta no verso de nosso hinário desde 1927, quando ocorreu a Convenção de Niágara, responsável pela elaboração dos doze pontos de doutrina. Para acertar-lhe, ainda, a nossa verdadeira doutrina sobre o batismo, convido-o a conhecer o testemunho fornecido por Francescon e disponível, a módico R$ 1,00, nas principais congregações no Brasil. Eu escrevi sobre esse testemunho aqui.

Em todo caso, e até para comprovar o que disse a respeito dos ensinamentos, gostaria que você meditasse sobre o seguinte, datado de 1986 (nesse caso, admito, estou sendo conveniente… :)):

“Nascer da água significa nascer da Palavra de Deus. O batismo não é nascimento: é sepultamento do velho homem.

Não é exatamente esse o raciocínio desenvolvido nesse texto?

~*~

“Resumindo: Na nossa doutrina, oficial, os pecados são perdoados PELA obra vicária do nosso Senhor Jesus Cristo, mas isso ocorre NO batismo (exclusivamente).

PS. Sua análise sobre o hino 196 está um tanto quanto equivocada.
Sem contar que confunde perdão de pecados com salvação/condenação.”

Bem, já acredito ter explicado suficientemente o que entendo ser nossa doutrina oficial. Sendo nossa doutrina oficial àquela no final do hinário, acredito que minha análise foi correta.

Em relação aos pecados serem perdoados EXCLUSIVAMENTE na cerimônia do batismo, não consigo ver nenhuma fundamentação bíblica, sequer exemplos factuais para servir de base a sua argumentação. Caso me apresente, irei reavaliar minha posição sobre isso.

Por fim, não sei exatamente a quais “equívocos” você se refere, quando trata da minha análise sobre o hino 195. Gostaria de sabê-los, para, sendo o caso, me retrate.

Quanto a confusão entre perdão de pecados e salvação, acredito que haja, na verdade, uma interpretação diferente, entre nós dois, a propósito do papel de Cristo no perdão de pecados e consequente salvação na vida do crente. O que devemos ter em mente é o seguinte: não temos nenhum merecimento pelos pecados perdoados e pela correlacionada salvação. Por isso, fomos “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24).

No mais, agradeço sua participação, esperando mais intervenções suas nesse e em outros textos desse blog, interessado que sou no progressivo entendimento das coisas de Deus, mais e mais, dia após dia.

No amor de Deus, único responsável pela nossa santificação e redenção,

Juliano





Pode um evento cristão se transformar em um ritual pagão?

20 09 2010

Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” Gálatas, 4.9

O contexto de Gálatas, 4, é bastante específico. Trata-se da admoestação de Paulo aos judeus convertidos e aos cristãos oriundos de outras religiões para não introduzirem elementos estranhos à fé cristã.

Tenho pensado muito nisso e, por consequência, ficado pouco otimista com alguns rumos tomados pelas congregações cristãs atuais.

O que acontece é que as práticas estão se distanciando, gradativamente, das consagradas interpretações do evangelho.

Traço, abaixo, algumas considerações sobre um dos serviços mais importantes da Igreja: o Batismo. Para referenciar o que entendo de “consagradas interpretações do evangelho”, farei uso da doutrina de minha igreja (CCB) e das letras contidas em seus hinos oficialmente utilizados.

O batismo

O batismo é uma cerimônia simbólica de sepultamento dos pecados. É uma demonstração pública da conversão do cristão, operada ANTERIORMENTE ao próprio serviço. Isto é, primeiro há a fé em Cristo como Salvador, por intermédio de sua morte na Cruz; depois, a cerimônia, um símbolo externo daquilo que JÁ ACONTECEU internamente. Portanto, o batismo não salva, sendo apenas um SÍMBOLO da transformação já ocorrida. É, sobretudo, uma confissão pública de que o velho homem, morto no pecado, foi sepultado por obra da graça nos dada por Cristo Jesus.

O que diz nossa doutrina a respeito disso?

5. Nós cremos que a regeneração, ou o novo nascimento, só se recebe pela fé em Jesus Cristo, que pelos nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação. Os que estão em Cristo Jesus são novas criaturas. Jesus Cristo, para nós, foi feito por Deus sabedoria, justiça,santificação e redenção. (Romanos 3:24,25; I Coríntios 1:30, II Coríntios 5:17)

O que diz nossos hinos a respeito disso?(alguns hinos referenciados, do 100º ao 200º)

(103) [Lição: Não somos reconciliados com Deus via batismo, mas por meio do Sangue Precioso de Cristo]

Oh! vem a Jesus,
Que por nós morreu sobre a cruz;
Seu sangue precioso Ele derramou,
E com Deus nos reconciliou.

(106) [Lição: A salvação vem pela fé, sendo uma operação interna ao indivíduo; isto é, a salvação não é adquirida por rituais exteriores]
A Jesus olha, ó pecador,
E não desprezes teu Remidor;
Só por Seu sangue, Deus dá mercê
E salvação, que vêm pela fé.

(131) [Lição: a verdadeira água é CRISTO, não aquela disponível no tanque do batismo]
Vós que procurais a água que dá vida,
Vinde a Cristo, Fonte do perdão;
Toda a alma contristada e abatida,
Em Jesus encontrará a salvação.

(133) [Lição: SOMENTE o sangue de Cristo, SEM NENHUM SACRIFÍCIO DE NOSSA PARTE, nos fornece o direito de sermos introduzidos na Sião Celestial; a Ele nada se acrescenta, INCLUSIVE o batismo ]
Pelo sangue precioso de Jesus,
Achegar-nos podemos a Deus;
Outro sacrifício não nos introduz
No eternal santuário dos céus.

(160) [Lição: Nossos pecados foram pagos não por obra de batismo; tivemos justificação, e não foi por banhar em águas]
Por nós morreu o Justo,
Pagando nossos pecados,
Para que nós vivamos
Em santidade e amor;
Perante Deus estamos
Por fé justificados,
O coração nós damos
Ao nosso Criador.

(161) [Lição: SOMENTE o sangue de Jesus tem Poder para resgatar e salvar; batismo não tem PODER ALGUM]
Só o sangue de Jesus
Tem poder de resgatar
Toda a alma que se quer salvar;
Nem o ouro tem valor,
Como preço do favor
Do eterno e divino amor.

(186) [Lição: O sangue de Cristo tem poder para lavar nossos pecados. A água do batismo, não]
Lavados vós sereis
No sangue do Senhor Jesus;
Abraçar-vos quer o Rei dos reis;
Só Ele ao céu conduz.

(196) [Lição: quem não crer, MESMO SENDO BATIZADO, já é condenado]
Todo o que crer e for batizado,
Salvo será, falou o Senhor;
Mas quem não crer, já é condenado,
Por desprezar o seu Salvador.

Conclusão

O que se vê, hoje, no entanto – e em muitas de nossas igrejas – é a total confusão gerada entre batismo e salvação. Assim, o batismo é visto como um ritual purificador de pecados. Alcunhado de “santo”, os serviços de culto em que são realizados recebem a propaganda de “festa de salvação”. É-nos solicitado que levemos visitas para que os mesmos se sintam a vontade para batizar. Por trás disso tudo, está a filosofia de que, caso a pessoa se decida pelo batismo, salvação alcançará. Contraria, portanto, nossa própria doutrina.

A própria figura do “sepultamento”, evidente alegoria, é transportada da categoria simbólica para a condição de “fato”, isto é, deixa de ser um símbolo para ser, essencialmente, uma “lavagem de pecados”. Lembra, é certo, rituais pagãos, em que o rito encerra sentido em si mesmo.

Ou, em outras palavras: não tomando a Direção da congregação o devido cuidado, poderá, em futuro não muito distante, assistir a transformação de um evento cristão em um ritual essencialmente pagão.





Igreja do Véu: igreja ou heresia? [5 de 5]

15 04 2010

Chegamos, finalmente, a parte derradeira dessa análise. Nela, gostaria de ressaltar algumas críticas pertinentes feitas a Congregação e alguns erros que, de tão crassos – dada a condição de frequentador por mais de meio século – não há outra possibilidade de entendê-los como produtos da mais genuína má-fé.  Comecemos, pois, a refletir sobre esse aspecto profundamente negativo do livro, uma vez que não pode ser creditado ao pastor o desconhecimento das práticas ccbianas. Para não estender muito – recurso abusado nos textos anteriores – sublinharei objetivamente alguns pontos. Vamos a eles:

I. Má-fé

1. “Em 1994, estive em Porto Alegre, e visitei a Congregação ali. Pude notar que, apesar de imensa, não tinha mais de 36 pessoas, e que a oferta tirada ali era inferior aos gastos que eu tive com o táxi para chegar àquela igreja” (p. 16): bem, a má-fé não está, exatamente, na informação sobre a membresia da central de Porto Alegre (embora não sei se esse dado procede). O que ‘pega’ é a afirmação sobre o valor das ofertas do dia. Não se usa dar publicidade as ‘ofertas do dia’, à moda da divulgação da renda de um jogo de futebol – sempre divulgada no final da partida. Quer dizer que os responsáveis pela contabilidade da igreja confidenciariam os dados a um enigmático e perguntador visitante? Acredito que não, isso não é verdade.

2. “Não é permitido de maneira alguma que pessoas com conhecimento cultural elevado, teólogos, etc. subam ao púlpito. Os anciãos alegam que sobre estes o Espírito Santo não tem espaço para se manifestar, e que Deus não opera na sabedoria, e sim na simplicidade. O apóstolo Paulo, além de ser um estudioso da Palavra, incentivava a todos a conhecerem a Plenitude das Escrituras” (p. 21): ora, fosse essa afirmação verdadeira, não haveria, aqui na minha cidade, um ancião juiz e um cooperador policial civil, bacharel em direito. Talvez pr. Amaral esteja fazendo referência especificamente à Teologia; mas aí há um erro crasso no exemplo utilizado. Embora Paulo fosse um homem refinado culturalmente, não se tem nenhum indício de que ele organizou ou incentivou seminários teológicos. Não estou questionando os seminários, vejam bem. O que há aí – a respeito do ministério paulino – é uma constatação, sem nenhuma valoração.

3. “Eles dizem também que devem se ater apenas aos 4 evangelhos pois nele estão as palavras ditas por Jesus. Não aceitam toda a Bíblia como inspirada por Deus. Você dificilmente verá um membro desta seita pregando o evangelho” (p. 28): poderia encerrar esse comentário sublinhando a flagrante contradição entre as duas primeiras frases e a última. Ora, como podem ter como válido apenas os evangelhos e, ao mesmo tempo, não se ver nenhum ccbiano pregando o evangelho? A contradição é óbvia por demais. Mas avancemos. O erro grosseiro ainda consegue ser pior. Segundo esse escrito, a Congregação não tem a Bíblia como regra de fé, restringido-se apenas aos quatro primeiros livros do Novo Testamento. Talvez esse discurso tenha algum efeito em quem jamais visitou uma igreja da Congregação. Poderia, após essa conclusão, sair por aí divulgando uma… MENTIRA. A ele, a recomendação de visitar uma igreja da Congregação para ouvir a leitura e pregação da Palavra de Deus, podendo, nessa ocasião, receber mensagens bíblicas retiradas de algum lugar entre o capítulo 1 de Gênesis ao vigésimo de Apocalipse.

4. “Os membros da Congregação Cristã não estão nem um pouco preocupados com o testemunho que dão. Não têm vida de santidade e consagração diante de Deus, pois não lêem a Palavra” (p. 35). Sem testemunho, sem santidade, sem ler a Palavra de Deus. É esse o conceito que o Pastor Amaral tem de nós, irmãos em Cristo. Sem mais.

5. “A verdade é que o uso do véu na Congregação Cristã do Brasil serve mais para trazer disputa entre as mulheres que ali congregam, pois usam o véu simplesmente como um adereço e enfeite. Usam tecidos caros e trabalhados, bem finos, quase transparentes, muito bem bordados e muitas vezes até com pedrarias caras” (p 41). Véus com pedrarias caras servindo de competição entre as mulheres da Congregação Cristã. Carece algum comentário?

6. “Certa vez fui a uma igreja da Congregação Cristã, e além de ter portas separando homens e mulheres, havia um cordão de isolamento dentro da igreja. Para mim, aquilo soou como algo humilhante, nunca havia visto algo parecido, dando uma impressão de ser um ambiente duvidoso e de risco em se tratando de questões morais. Esse acontecimento foi para mim chocante, mas infelizmente verdadeiro. Sendo uma das razões que me levou sair desta igreja” (p. 44). Então, vejamos: o autor descreve uma visita a uma congregação – que não sabemos em qual localidade – em que havia um cordão de isolamento supostamente para inibir comportamentos amorais? Bem, não posso afirmar que isso aí não existe; o que posso dizer é que já assisti a cultos em centenas de templos da Congregação por mais de quatro estados (Goiás, São Paulo, DF, Minas Gerais) e nunca – eu disse NUNCA – vi coisas semelhantes.

7. “É lamentável essa contradição: deixam de comemorar o nascimento do Senhor, mesmo que seja em 25 de dezembro e comemoram o dia da circuncisão e da consagração oito dias após o nascimento de seus filhos. Parecem que são como os adventistas do sétimo dia, guardando algumas tradições do Antigo Testamento abandonando outras“. Os cinquenta e quatro anos de vivência na Congregação, ao que parece, não surtiram muito conhecimento a respeito da Congregação. Ou o que dizer de alguém que afirma que, na Congregação, se comemora o ‘dia da circuncisão’? Terrível.

8. “Outro absurdo nessa seita é que nos cultos, quem está em observação ou em pecado, fica sentado separado dos demais membros e com o objetivo de serem conhecidos pela igreja. E ficará lá, até vencer os dias de sua culpa” (p. 118). Bem, absurdo é dizer uma coisa dessas. Novamente: para quem diz que passou tanto tempo na Congregação, um embuste desse tamanho pega mal, muito mal. Não há esse tal ‘banco dos pecadores’. E nem no que há de mais questionável nos ‘ensinamentos’ da Congregação – o ‘pecado de morte’ (sic) – o pastor em epígrafe acerta. Ora, quer dizer que se alguém peca – e esse termo é muito usual para o adultério; para os outros ‘pecadinhos’ temos o constrangedor eufemismo das ‘faltas’, ‘fraquezas’ e correlatas – ele ficará identificado em um banco esperando cumprir seus dias de disciplina determinados? Se sim, o pastor Amaral deveria mudar o título do seu livro, já que ele pode estar falando de qualquer outra denominação, menos a CCB.

II. Críticas relevantes

Nessa seção, aproveito para destacar algumas críticas salutares à Congregação. Ao contrário do que antes fazia – i.e., citava trechos diretamente – farei opção aqui por uma análise de conjunto da obra. Isso porque tais críticas estão em vários trechos do livro. O que se tem abaixo, então, é a interpretação que faço dessas críticas.

1. O exclusivismo: ainda hoje muitos irmãos se auto-reconhecem como os únicos cristãos verdadeiros. Falta um ensino contundente nessa parte. Não é suficiente dizer que não podemos criticar outras denominações evangélicas em nossos cultos. Isso é pouco. Devemos ser instruídos – explicitamente – que nossa denominação é uma ramificação da obra de Deus, conforme fomos ensinados desde o princípio da Congregação aqui no Brasil. O que nos diferencia das demais denominações co-irmãs são aspectos secundários da fé (impotentes para alterar o status de salvação), dentro da liberdade cristã que hoje gozamos.

2. Eleição para administração: aos olhos do escriturário de qualquer cartório que recebe a documentação a respeito de nossas Assembléias Gerais Ordinárias, as eleições para os cargos administrativos da igreja são diretas. Não é assim, porém, que as coisas ocorrem. Concorre chapa única, que é aclamada pelos participantes da Assembléia. Há inclusive orientações oficiais para a permanência ininterrupta dos participantes da Administração. Isso poderia tranquilamente ser melhorado, sem nenhum prejuízo ao tradicional cotidiano da CCB.

3. Crítica a circular – Caso do ex-ancião José Valério: o pastor Amaral está certo quando critica a circular. Embora seja clara em excluir o ancião, os motivos pelos quais essa medida se tornou necessária não são expostos. Não há esforço em explicar e refutar, biblicamente, os ensinamentos do ex-ancião.

4. Prática do “pedir palavra”: se quero casar com fulana, peço palavra. Se quero comprar um carro, peço palavra. Se quero fazer aquela viagem que tanto desejei, peço palavra. E o ‘pedir palavra’ é esperar que o pregador, na exortação da Palavra, mencione a minha causa e dê uma direção a ela. Retornamos, assim, aos velhos oráculos da antiguidade. Isso não está certo. Lutero, já no século XVI, muito lutou para dar-nos a liberdade de examinar, livremente, a Palavra de Deus e dela retirar os fundamentos para nossa vida. Retirou, de uma só vez, a dependência dos leigos em relação ao clero. Não retornemos aos velhos rudimentos.

5. Usos e costumes contendo valor soteriológico: é contraditório escrever sobre isso, porque nossa doutrina é clara: “Nós cremos que a regeneração, ou o novo nascimento, só se recebe pela fé em Jesus Cristo, que pelos nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação. Os que estão em Cristo Jesus são novas criaturas. Jesus Cristo, para nós, foi feito por Deus sabedoria, justiça, santificação e redenção. (Rom., 3:24 e 25; l Cor, 1:30; ll Cor, 5:17)” (Ponto de Doutrina n. 5). Dizer que os nossos ‘diferenciais’ (véu, ósculo santo, igreja sem dízimo e nominadamente sem o título de pastor) são ‘complementos’ necessários à salvação ou que são identificadores da verdadeira igreja é um erro grotesco. O magistério da igreja falha nessa parte ao não ensinar corretamente para a irmandade nossas próprias doutrinas. Porém – e esse adendo é necessário – há muitas ‘teologias populares’ que estão em desacordo com as ‘teologias oficiais’ professadas pelas denominações.

Para concluir…

Não é possível, dado o aspecto limitado do blog, analisar mais detidamente o livro. Creio, entretanto, que consegui fornecer um painel geral das idéias ali contidas. Como um ser humano limitado, imperfeito e pecador que sou, com pouco conhecimento mas muito desejo de adquiri-lo mais e mais, é bem possível que, nesse conjunto de textos, tenha cometido um ou outro equívoco. Conto com o auxílio dos leitores. Constatando o erro, retifico com as devidas explicações. Para os futuros leitores, dois avisos: se não frequenta a CCB, pouco dela conhecerá lendo esse livro. Se a frequenta, não perca seu tempo: torça apenas por aparecer melhores leituras sobre nossa denominação no mercado editorial.





Igreja do Véu: igreja ou heresia? [4 de 5]

14 04 2010

Há um equívoco que permeia toda a análise do pr. Amaral e que, de forma geral, também está presente em outros textos que se esforçam para colocar a Congregação no rol das inúmeras seitas existentes por aí. Consiste basicamente em listar todos os costumes praticados na CC para, em seguida, refutá-los veementemente. Assim, se a Congregação não assalaria seus dirigentes, “oh, que grande heresia!“. Se não há a prática de dízimo, “oh, eles são ladrões! (Ml. 3:8)“.  Se as mulheres usam véu, “oh, que triste: eles são tão incultos que não percebem que essa necessidade era apenas para a igreja de Corinto!“, fazendo saltar estudos antropológicos e históricos feitos nos últimos dois séculos – exatamente quando as mulheres deixaram de cobrir a cabeça nos momentos de adoração.

Ora, está evidente que esses costumes nada são diante do favor imerecido (a Graça) de Cristo por nós. O grande erro é colocar esses costumes como condição de salvação. Muitos entre nós, inconscientemente ou não – não importa -, assim o fazem. Isso está errado. Isso deve ser combatido. Mas os apologetas pouco dão importância a esse fato. O que querem, realmente, é provar que o costume está errado. E aí gastam folhas e folhas de uma argumentação totalmente desnecessária. Isso por um motivo muito simples: os costumes não levam a salvação, mas também não conduzem a perdição. Não é mesmo muito simples?

É essa reflexão introdutória que pode ser feita quando se lê a análise que o pr. Amaral faz da liturgia da Congregação. Vamos a ela.

1. Modelo de administração herdada da ICAR.

Lamentavelmente é uma igreja que copiou o modelo de administração da Igreja Católica Apostólica Romana, se tornando muito diferente das Igrejas Evangélicas“. (p. 10)

Não sei se há muito o que dizer sobre isso.  A Igreja Católica, como se sabe, levou às ultimas consequências o modelo episcopal de governo, centralizando e formulando uma hierarquia ministerial piramidal que aponta para uma única autoridade máxima, o papa. Embora a Congregação tenha uma estrutura muito rígida em seu governo, não vejo que isso a desabone enquanto uma igreja evangélica. Outras igrejas, por exemplo, fazem combinação – assim como a CCB – da forma episcopal com umas pitadas de presbiterianismo (organização em presbitérios – na CCB, regionais – convergentes a um sínodo), como a Igreja Metodista e a Igreja Evangélica Anglicana. Mesmo pressupondo que haja esse ‘modelo’: quer dizer que não se pode haver nenhuma semelhança com a Igreja Católica, sob o risco de não ser mais evangélica?

2. O papel de Francescon na Congregação, hoje

Lamentavelmente, Luis Francescon esqueceu daqueles que com eles participaram do mover inicial em Chicago. Passou a ser pessoa venerada e endeusada na Igreja do Véu, tornando-se o único e exclusivo líder deste grupo“. (p.11).

Bem, se antes havia, enquanto em vida, posição de primazia de Francescon na igreja brasileira, o mesmo não se pode dizer dele após sua morte. Não há muitas referências sobre ele. É só ir a uma igreja da Congregação e perguntar detalhes sobre a vida desse homem ao companheiro de banco. Poucos sequer tem conhecimento do seu testemunho – uma das poucas publicações oficiais da CCB. Seu papel histórico, para muitos ccbianos, é semelhante ao reconhecido pelos assembleianos, em geral, às figuras de Gunnar Vingren e Daniel Berg. “Venerar” e “endeusar”, no texto do pr. Amaral, não passa de uma brincadeira jocosa (de duvidoso gosto, em se tratando de um texto apologético), sem a mínima comprovação factual.

3. A vitaliciedade dos anciãos

Os anciãos são insubstituíveis, a não ser por caso de morte, é cargo vitalício. Dificilmente são admoestados pelos membros da igreja. Se consideram ‘guias espirituais’ de seus adeptos, ‘falando’ o Senhor através deles pelo Espírito Santo” (p. 12).

Ao que me parece, há um certo hábito nas igrejas evangélicas, em sua maioria, ter um ‘dono’. Há o dono da Universal, da Sara Nossa Terra, da CONAMAD, da Mundial, etc., etc., etc. Isso é péssimo. Mas não é essa a crítica do pr. Amaral. Mesmo porque, se usasse de sinceridade, haveria de constatar problemas na maioria – se não todas – denominações evangélicas, inclusive a que ele é lider. Quanto a ser ‘vitalício’, é de se reconhecer que há muitos ex-anciãos, por diversos motivos. São, assim, substituíveis. E enquanto líderes religiosos – como também o são os diversos pastores, reverendos, presbíteros e etc. – devem ser referências espirituais para os membros. O que há de errado nisso? O que há de diferente a ponto de ser sublinhado para distinguir a Congregação das diversas outras denominações evangélicas sérias?

4. A idade e a primazia no ministério

A liderança da igreja não é conduzida por aqueles que têm um reconhecimento real em Deus de autoridade, sabedoria e manifestação de vida em Deus. Mas, simplesmente, é a idade que determina a direção desta igreja.” (p. 17)

De fato, embora o estatuto da CCB regula que não há ‘hierarquias’ no ministério, contraditoriamente aponta para o respeito a antiguidade no ministério. Mesmo assim, essa não é uma regra pétrea, absoluta. Basta citar, por exemplo, que o ancião (Jorge Couri) que atende as reuniões gerais anuais não é o mais velho do ministério. Isso, por si só, invalida a tese de que é a “idade que determina a direção desta igreja“.

5. Ofertas e patrimônio da Congregação

Sem exagero nenhum, os membros da Congregação Cristã no Brasil são tratados exatamente como os da Igreja Católica Apostólica Romana. São os leigos, a maior de suas atribuições é vender suas propriedades (ofertas muitas vezes com extremo sacrifício) para a construção de grandes prédios (templos), que legalmente nunca os pertencerão, mas que ainda terão que sustentá-los em sua manutenção. Ficando somente o direito de frequentar, se tiverem total submissão aos anciãos. Os estatutos da Congregação regem que: havendo divisão por qualquer motivo, ou mesmo que não fique nenhum de seus membros com esta seita, fica com a sede desta seita o direito legal sobre todos os bens e propriedades. Um dos grupos que saíram desta seita, certa vez, ficou proibido de usar e até mesmo cantar os hinos que são usados na Congregação“.

Esse longo excerto trata, mais uma vez, da comparação entre a Congregação e a Igreja Católica. Agora, com um diferencial: apresenta inverdades. Da forma como foi redigido, esse texto leva o leitor a concluir que os crentes que frequentam a CCB têm o hábito de vender suas propriedades para depositar o dinheiro nas contas da igreja, lembrando Atos 2:45. Isso é falso. Não há nenhuma regulamentação ou incentivo disso, e não conheço NINGUÉM que tenha vendido propriedades para dar o valor correspondente a Igreja. Sequer especulo – veja! – valor positivo ou negativo a isso; somente, a bem da verdade, afirmo que isso não faz parte da ‘praxis’ ccbiana.

Ademais, o texto força em outras situações, como, por exemplo, diz que os membros somente poderão participar do culto se for submisso ao ministério. Quanta mentira! Quanta leviandade! Quer dizer que os porteiros da igreja proibirão os insubmissos de adentrarem ao templo?

Quanto a indivisão do patrimônio, isso é simples. Um remédio natural contra a divisão, que assola diversas denominações, que fragmentam-se a exaustão, causando profundas divisões e produzindo discórdias sem fim.

6. A elaboração doutrinária

Como são proibidos os estudos bíblicos em profundidade, a Congregação se baseia sempre em textos isolados, mal interpretados, e não existe nenhum respeito às regras de hermenêutica bíblica.” (p. 28).

De novo, um simples trecho requer várias refutações. Inicialmente, estudos bíblicos aprofundados, no meio evangélico, são comumente compreendidos como ‘estudos sistematizados’, isto é, uma aprendizagem que é desenvolvida formalmente em escolas, institutos e faculdades teológicas. Sendo assim, o fato da CCB não possuir nenhum Instituto Bíblico, hoje, é revelador a respeito do pouco apreço pela formação acadêmica religiosa. Aliás, essa é uma legítima herança do pentecostalismo clássico – basta ver a relutância da Assembléia de Deus em estabelecer seus primeiros seminários teológicos.

Depois, há de se distinguir duas coisas: uma, é não exigir formação teológica para os presbíteros e não considerá-la imprescindível a membresia; outra é proibir estudos bíblicos. Não é porque eu estudo a bíblia que serei excomungado pelo ministério. É um despropósito dizer isso.

Por fim, dizer que “estudos aprofundados” garantem “respeito as regras da hermenêutica” é lógica falha. O que se vê por aí, na verdade, é a proliferação de institutos bíblicos, de casas publicadoras e faculdades teológicas potencializando a divulgação de muitas heresias. Claro, não se advoga aqui a desnecessariedade de tais instituições; o que se critica é a lógica do ‘causa-efeito’ desse trecho.

7. O véu como um fardo

O véu que as mulheres da Congregação usam, é meramente um fardo colocado pela liderança desta seita e que não traz nenhum benefício ou edificação em Deus” (p. 40).

Bem, como de costume, o estudo sobre o véu feito pelo pr. Amaral é precedido por uma explicação antropológica do cotidiano das mulheres da cidade de Corinto. Sem delongas, sugiro ler isso, especialmente no tópico “O argumento cultural”. Quanto ao véu ser um “fardo”, é a primeira reclamação dessa natureza que escuto. Ademais, o termo “seita” é repetido, por todo o livro, ad naseum, como que para lembrar, a cada miudeza descrita, o quão diferente (e, por isso, ERRADA) é a CCB quando comparada a outros grupos denominacionais.

8. Ordenação de mulheres

Hoje, na maior igreja evangélica do mundo, a igreja presbiteriana de David Yong Cho na Coréia do Sul, a grande maioria dos líderes é composta por mulheres. Novamente o problema na Igreja do Véu é a falta de visão de sua liderança, que ainda é machista e retrógrada” (p. 45).

Aí já é um tema mais espinhoso em toda a comunidade evangélica. Muitas Igrejas Batistas, por exemplo, são contra. A CGADB, convenção que congrega a maioria das Assembléias de Deus brasileiras, também é. Seriam elas heréticas por isso? Acredito que não. E, sinceramente, acredito que pr. Amaral há também de concordar comigo. Ou estaria sua própria denominação, a Assembléia de Deus (embora Amaral esteja filiado à CONAMAD), praticando heresia por isso?

No mais, o eminente pastor – que demonstr0u não conhecer bem a história da Congregação Cristã – repete a lacuna na história das Assembléias de Deus: David Young Cho não é pastor da Igreja Presbiteriana, e sim da Igreja do Evangelho Pleno, afiliada a Assembleia de Deus. Sua importância não é pouca: de 1992 a 2000 foi presidente da World Assemblies of God Fellowship, a convenção internacional das Assembléias de Deus. Esse pastor ensinou algumas doutrinas bastante questionáveis. Em um de seus livros mais famosos, “A quarta dimensão”, escreveu que “Through visualizing and dreaming you can incubate your future and hatch the results”, ampliando o entendimento de um evangelho antropocêntrico e fertilizando o terreno da “confissão positiva”, um grande problema para a igreja evangélica atual.

9. Cerimoniais na igreja

Não são permitido cerimônias religiosas para casamentos e noivados na Igreja do Véu, pois estas são considerados rituais materiais, nada tendo a ver com a religião. Por essa razão, a Igreja não deve participar. Não sendo permitido aos anciãos fazerem casamentos e noivados. Nem mesmo orações como ato de agradecimento. Essa é mais uma contradição dessa seita com referência às Santas Escrituras” (p. 60).

Preocupação com miudezas litúrgicas. Essa é uma análise possível para as considerações do livro sobre o trato da denominação para diversas cerimônias. Entre elas, está o casamento. Aliás, o pr. Amaral falta com a verdade ao dizer que não se faz nem uma oração como ato de agradecimento. Faz, sim. O que não existe é a regulamentação neotestamentária que ordene ou proíba os casamentos na igreja. Eu, particularmente, não tenho nada contra os casórios em igreja. Acho, inclusive, um ambiente mais acolhedor e respeitoso para a cerimônia do que os clubes. Mas não consigo ler, em nenhuma indicação neotestamentária, a regulamentação do matrimônio obrigatoriamente no templo. E por isso que considero uma miudeza: algo tão secundário receber tão especial atenção é um desperdício de argumentação. Ou, por outro lado, um concentrado esforço em ‘heresiar’ a denominação.

Assim também o é quando se trata da apresentação das crianças nos templos. Ora, o que se tem é um costume judaico. Um bom costume, aliás. Mas não se tem nenhuma indicação neotestamentária para as denominações evangélicas legislarem sobre isso. Sobre esse fato, pr. Amaral é categórico: “já podemos perceber os erros absurdos cometidos por esses religiosos. O que mais irrita é o fato de defenderem com unhas e dentes assuntos tão insignificantes e medíocres, e desprezarem assuntos tão importantes para Deus”. Argumentação que, pelo visto, também pode ser aplicada integralmente à crítica elaborada por “Igreja do véu: seita ou heresia“.