Francescon e a organização da Igreja

12 08 2011

A Carta Circular que segue foi escrita por Luigi Francescon em 1939. Faz referência às duas mais recentes questões que afligiram os cristãos reunidos em Chicago na Christian Assembly/Christian Congregation daqueles tempos: a Validade do Concílio de Jerusalém para os dias de hoje (1926/1927) e a organização da igreja em uma denominação (1938). A tradução é livre, mas procurei preservar integralmente  o sentido original. Essa  carta está anexada a tese de Key Yuasa (2001).

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Quadro-síntese das principais questões do movimento pentecostal ítalo-americano em seus primeiros trinta anos

10 08 2011

Fontes:

ALVES, Leonardo M. “Christian Congregation in North America: Its Inception, Doctrine, and Worship”. Dallas, 2006.

TOPPI, Francesco. “Pietro Menconi”. Roma: ADI-Media, 1998.

YUASA, Key. “Louis Francescon: A Theological Biography 1866 – 1964”. Genebra, 2001.





Salvação: fé e obras

8 08 2011

Do site do ir. Joel Spina:

Existem denominações cristãs que ainda ensinam que o direito a salvação e a vida eterna nos céus é obtida atraves de dois requisitos:

1. Crer em Jesus Cristo – seu sacrificio e resurreição – e aceita-lo como perdoador, redentor e salvador pessoal; e

2. Praticar boas obras durante a vida nesta terra.

O apóstolo Paulo explica esta doutrina bem objetivamente em sua carta aos gálatas. Os cristãos do sul da Galacia (Antioquia da Psídia, Icônio, Listra, e Derbe, parte da atual Turquia) eram instáveis, como demonstrado em Listra, quando o mesmo grupo que ao ouvir a pregação de Paulo quis adorá-lo pela manhã, e depois de algumas horas tentou apedrejá-lo, na mesma noite (Atos 14:6-21). Após a partida de Paulo da Galácia em sua primeira viagem missionária, judeus de Jerusalem vieram a região e começaram a pregar que para cristãos receberem e manterem a salvação deveriam praticar obras de acordo com a Lei. Para confirmar sua reputação, esses pregadores judeus enfatizavam que eram provenientes de Jerusalem, uma das primeiras igrejas cristãs, e base de vários apóstolos. Em resposta a essa falsa doutrina, Paulo explicou vários pontos que estabeleceram a fundação doutrinária para os gálatas, e para todos os cristãos:

1. O que concede salvação e vida eterna ao homen é a fé em Jesus Cristo, e somente a fé (Gal 3:1-5);

2. Fé sempre foi o elemento essencial para salvação, mesmo no Velho Testamento: “Assim como Abraão creu a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” (Gal 3:6 JFAA, veja também Heb 11:8-10); devemos lembrar também que Abrão viveu aproximadamente 450 anos antes da lei ser dada a Moisés;

3. O objetivo da Lei nunca foi de salvar, de justificar: “pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou…” (Heb 7:19 JFAA, veja também Gal 3:11, Hab 2:4, Rom 1:17, Heb 10:38);

4. A Lei foi dada para trazer o povo a Jesus Cristo. “Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar” (Gal 3:23 JFAA). A Lei funcionou como um tutor, enquanto esperávamos pela maioridade espiritual do ser humano e pela fé, que seriam dadas aos judeus e gentios através da semente de Abrão, Jesus Cristo (Gal 3:15-29);

5. Nenhum ser humano pode agradar a Deus (e consequentement obter e manter a salvação) por obras da Lei; a carne tem uma natureza pecadora que só pode ser controlada pelo Espírito Santo naqueles que realmente creram; e, o ponto mais importante:

6. Se salvação e vida eterna pudessem ser alcançadas pelas obras da Lei, o sacrifício de Jesus Cristo na cruz teria sido em vão.

Por estas razões aqueles que pregam que salvação pelas obras da Lei pode, ainda que parcialmente, ganhar ou manter o direito a vida eterna nos céus – legalistas – estão pregando um evangelho diferente, pervertem o evangelho, e são anátemas (Gal 1:7-9). Além disso, se os pregadores na Galácia baseavam a sua credibilidade e reputação na suas origens em Jerusalem, Paulo recebeu o testemunho e a Graça pessoalmenete de Jesus Cristo, no caminho de Damasco (Gal 1:12, Atos 9).

Alguns cristãos podem propor que a aceitação deste ponto de doutrina extenderia aos crentes a liberdade de viver no pecado, e ter uma existência sem necessariamente produzir bons frutos. Esta conclusão simplesmente nega a obra efetiva do Espírito Santo.

Os que realmente creem e aceitam o Senhor como Salvador produzem frutos de honra e glória a Êle. O mesmo Santo Espírito que traz a fé e a graça na vida de uma pessoa também transforma essa vida, e provê as condições para que se produza frutos de honra e glória a Deus. Êsses frutos não são mais produzidos pela força da Lei, mas sim pelo amor que habita nos corações dos que creem.

Aos que ainda não concordam com o apóstolo Paulo, e ainda creem que quanto mais “boas obras” produzirmos, maior a probabilidade de alcançar a vida eterna, o Senhor Jesus nos deixou uma parábola que – uma vez mais – nega essa falsa doutrina: em Mateus 20:1-16 encontramos a parábola dos trabalhadores da vinha, onde o pagamento não foi proporcional a quantidade de trabalho. Aos trabalhadores que murmuravam por terem todos recebido o mesmo salário, o proprietário respondeu: “Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?” (Mat 20:15 JFAA).

A próxima vez que um pregador exortar que “…devemos nos esforçar para alcançarmos a vida eterna…” seja um bom irmão na fé, e explique ao pregador o êrro serissimo dessa mensagem. Se você não se sentir em condições de discutir êste ponto, faça uma cópia deste tópico e, no amor do Senhor, entregue a ele…





Formato do Culto, movimento pentecostal ítalo-americano, início do século XX

4 08 2011

Quando nós nos reuníamos, por volta das 19h30, nós (a) iniciávamos o serviço no Nome do Senhor Jesus; (b) cantávamos dois ou três hinos e, em seguida,(c) nós orávamos. Mas não era sempre assim. Algumas vezes um orava, algumas vezes dois oravam e algumas vezes três oravam. (d) Depois da oração nós cantávamos outro hino e depois (e) nós tínhamos alguns testemunhos. As pessoas estavam livres para testificar ou para ler uma frase, ou fazer uma pequena exortação de alguma parte das Escrituras. E então, depois disso, (f) alguém falava um pouco por mais tempo, entre (Giuseppe) Beretta, (Luigi) Francescon ou (Pietro) Menconi, e (Pietro) Ottolini algumas vezes. Então depois que eles continuavam com a pregação, nós (g) cantávamos um hino, (h) nós orávamos e despedíamo-nos e íamos para casa. (Alberto Di Cicco, in Yuasa, 2002:116).





A grandeza do amor e da Graça de Deus

2 08 2011

Ah, a grandeza do amor de Deus!

Permitiu que seu Unigênito Filho, Puro e Imaculado, descesse a Terra para que, em um corpo humano, passasse por humilhações que nem os mais desprezíveis homens mereceriam!

Ah, a grandeza do amor de Deus!

Escolheu-nos diante de tantos outros, e pacientemente nos tolera em nossas imperfeições, não nos renegando e nem nos abandonando por nossa falta de méritos!

Ah, a grandeza da Graça de Deus!

Como pode, Senhor, sua Graça ser tamanha?

Escolhe-nos sem nenhum mérito e com misericórdia nos conduz a Perfeição sendo nós imperfeitos, faltantes, pecadores! “Nada a ela se pode igualar!”

Ah, a grandeza da Graça de Deus!

Por nós, Jesus Cristo se fez justificação e santificação! É Ele que nos justifica, é Ele que nos santifica!

Ah, a grandeza da Misericórdia de Deus!

Não tendo em nós mesmos nenhum mérito, nos deu Seu Filho para nossa justificação! Mesmo não merecendo, Cristo é o nosso advogado! Como somos carentes da Misericórdia de Deus!

Ah, a grandeza da Misericórdia de Deus!

Pequenos nós somos, mas grande é Nosso Deus! Somos servos inúteis, mas Cristo, a Rocha, nos capacita às boas obras! Somos duros de coração e levianos em nossa natureza humana, mas corrigidos somos cotidianamente pelo poder do Espírito Santo que habita em nós!

Ah, como é Grande o Nosso Deus! Ah, como miseráveis nós somos! Como somos dependentes de Sua Graça! Como é bom saber do futuro que nos é garantido!





Belmont Assembly of God e a Assemblea Cristiana di Chicago

30 07 2011

O ir. Valdeci Ferreira tem publicado vários textos sobre a história do movimento pentecostal italiano. O último, sobre a Belmont Assembly of God, faz referência ao legado da Christian Assembly of Chicago (Assemblea Cristiana di Chicago). O blog Harpa Cristã também faz referência a Belmont Assembly of God como a herdeira do espólio da Assemblea Cristiana.

Na oportunidade que escrevi sobre algumas igrejas que estão ligadas historicamente ao reavivamento espiritual entre os ítalo-americanos, recebi de Leo Alves, um dos mais conhecedores da história do pentecostalismo ítalo-americano, correção e acréscimo de informações sobre a condição dessa herança na cidade de Chicago. Aproveito, então, para ressaltá-la.

A primitiva Assamblea Cristiana, que hoje já não existe mais, deu origem a oito igrejas em Chicago (segundo informações fornecidas pelo Leo Alves). A primeira “cisão” se deu na desgastante divisão de 1926, que deu origem a Congregazione Cristiana di Chicago.

As duas igrejas, com o passar do tempo, se integraram a cultura americana. Tornaram-se, portanto, multiétnicas, não se identificando mais como uma italian church.

O que fica em aberto, nesse caso, é que igrejas possuem historicamente o espólio das duas primitivas igrejas. Para essa questão, a resposta é baseada em dois livros e uma tese sobre o movimento pentecostal ítalo-americano.

Em relação a Congregazione Cristiana (ancião sênior, Luigi Francescon), a igreja se manteve em prédios alugados até a década de 1950, quando se instalou na Avenida Fullerton (Alves, 2006). Recentemente transferiu-se para o subúrbio de Chicago, em Wood Dale. Atualmente, atende pelo nome de Christian Congregation Church.

Quanto a Assemblea Cristiana (ancião sênior, Pietro Menconi), a igreja se transferiu, também na década de 1950, para a Avenida Belmont. Em 1968, transferiu-se novamente, agora para a Harlem Ave (Toppi, 1998). Na década de 1970, havia dois anciães ligados diretamente às famílias dos líderes da Asemblea Cristiana pós-cisão (Yuasa, 2001) Até pouco tempo, a igreja era conhecida pelo nome de Church of the Full Gospel; hoje, atende pelo nome de Good Shepherd Christian Assembly. Essa é, portanto, a legítima herdeira do espólio da Assamblea Cristiana di Chicago.

Fontes:

ALVES, Leonardo M. “Christian Congregation in North America: Its Inception, Doctrine, and Worship”. Dallas, 2006.

TOPPI, Francesco. “Pietro Menconi”. Roma: ADI-Media, 1998.

YUASA, Key. “Louis Francescon: A Theological Biography 1866 – 1964”. Genebra, 2001.





Christian Congregation, Inc.: 85 anos de história

17 04 2011

No dia 17 de abril de 1926, L. Francescon, J. Marin e outros irmãos organizaram a Christian Congregation, Inc. Até então, a igreja em Chicago estava reunida na Christian Assembly da West Erie, 1350. A separação, mediada por uma longa demanda judicial, apenas terminou em 1935. Depois de se transferir para a Fullerton Avenue, hoje a Christian Congregation está instalada na 120 S. Mill Road, em Wood Dale, subúrbio de Chicago. Essa igreja não está afiliada, atualmente, a Christian Congregation in the United States.

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Já a Christian Congregation in the United States tem uma história peculiar, e bem mais recente. Uma das herdeiras do avivamento entre os italianos no início do século XX, ela foi organizada enquanto denominação apenas nos anos 1980. Até então, várias congregações existiam autônomas (como há ainda muitas hoje) e outras haviam se filiado ou a Assembléia de Deus ou a Christian Church of North America (a primeira tentativa de organização denominacional das igrejas italianas).

Para muitos, essa história ainda é novidade. Muitos irmãos imaginam que a denominação Congregação Cristã nos Estados Unidos (CCUS) existe desde que Francescon e seu grupo organizaram as primeiras igrejas. Além disso, a própria organização da denominação nos anos 1980 foi trabalho de anciães brasileiros, entre eles Miguel Spina e Victorio Angare. Aderiram inicialmente a Italian Christian Assembly of Alhambra, Los Angeles (Ancião Alexander Puglia); Buffalo Christian Congregation (Anciães Arno Scoccia e Louis Terragnoli Junior) e Christian Congregation de Chicago (Ancião Samuele Calabrese).

Um exemplo de informação contraditória – ou falta de informação

No video acima, há a informação de que a igreja de Corona foi uma das poucas que se manteve fiel desde o princípio. No entanto, o próprio uploader do video esclarece posteriormente, respondendo a comentários do video no youtube, que a “Igreja de Corona, NY possuia cerca de 200 irmãos norte-americanos de origem italiana. Com a reintegração à doutrina, muitos abandonaram a igreja, por não aceitar os ensinamentos. Hoje há muitos irmãos brasileiros vivendo em Nova York que também congregam lá.” Ora, se foi uma reintegração a doutrina, essa igreja estava “fora da doutrina”? Se sim, como se “manteve fiel desde o princípio”?

Há centenas e centenas de igrejas oriundas do movimento pentecostal italiano. A maioria delas está independente, não fazendo opção por se associar a nenhuma denominação. Os Estados Unidos acabam sendo, então, um exemplo de como Deus manifesta sua linda obra transcendendo os limites puramente denominacionais.

Fontes:

ALVES, Leonardo M. “Christian Congregation in North America: Its Inception, Doctrine, and Worship”. Dallas, 2006.

YUASA, Key. Louis Francescon: A Theological Biography 1866 – 1964. Genebra, 2001.